Quando vejo as laranjeiras nesta fase do seu ciclo anual, lembro-me sempre de uma passagem do livro de Júlio Dinis, As Pupilas do Senhor Reitor. A cena passa-se com um entediado Daniel que procura entreter-se conversando com um dos velhos criados da quinta, a que se juntou a pequena Rosa, filha deste último. É um diálogo que continuo a achar absolutamente delicioso, passados muitos anos da primeira vez que li o livro.
(...)
"- Tu sabes adivinhas, Rosa? - perguntou Daniel rindo.
- Sei.
- Sim, senhor - corrigiu ainda outra vez o velho.
- Ora vamos lá a uma adivinha.
A pequena não se fez rogar.
- Então diga lá esta:
Altos castelos
Verdes e amarelos
- Isso é decerto a casa de um brasileiro* - respondeu Daniel.
A criança pregou-lhe uma risada e, toda satisfeita, exclamou:
- Boa! É uma laranjeira."
(...)
.
*Casas de emigrantes regressados ricos do Brasil que construíam casas coloridas de grandes dimensões e que contrastavam fortemente com as casas tradicionais do Norte de Portugal.
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