Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Rosas



Abril. É tempo de rosas.
(pena de não ter um jardim de rosas)

terça-feira, 2 de abril de 2019

quinta-feira, 21 de março de 2019

Póvoa de Varzim

Póvoa de Varzim
A PÓVOA EM CINCO ANDAMENTOS

1.

Percorro estas ruas
como quem bebe a infância

E treme a esse vento antigo
o cristal da memória

2.

Sei ainda sem nuvens
as pessoas as ruas as casas

Eu era um menino
com raízes de asas

3.

A tépida burguesia
(então ainda havia)
enchia pela tarde
salões que eu conheço

Por aí passo Ou permaneço
Mas o coração não arde

4.

Vem desde a Lapa
liso e lento
o som da ronca previdente

É um lamento do mar
ou um gemido de gente

5.

Não me falem de mar
Silêncio
Não me falem de barcos gaivotas
Silêncio só
Não murmurem essa pura
palavra
de sal e névoa
de alegria e mágoa
Póvoa Póvoa
Trago-a
comigo bornal de sol

E só de a ouvir
bate-me no peito
um coração que suspeito
nascido na água

JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS

terça-feira, 19 de março de 2019

domingo, 17 de março de 2019

Camélia

Do meu jardim. Estão em plena floração.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Paisagem portuguesa (alentejana) e poesia




O PORTUGAL FUTURO

O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oestee o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro

RUY BELO

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Orquídeas

As primeiras que fizeram o favor de desabrochar, para grande alegria de quem as pode admirar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Rio

Poldras romanas no rio Ponsul, em Idanha-a-Velha. Dezembro de 2018.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Descansando

Idanha-a-Velha, dezembro de 2018
Na região das casas de granito, pedras antigas em casas cuidadosamente recuperadas. Sol e sombra. Um homem de idade avançada, como é normal nestas terras no interior, descansa o seu ócio estirado sobre a a escada.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Dimensões

Monsanto

O GUARDADOR DE REBANHOS/VII

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver  do universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha aldeia no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
 Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
      de todo o céu.
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
      nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

ALBERTO CAEIRO

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Guarita

Testemunha de tempos ferozes, disputas territoriais, cercos, sentinela atenta numa fortaleza inexpugnável. Hoje apenas lembra tempos passados e a admiração dos turistas que visitam o Forte da Graça, em Elvas.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Medronhos

Pormenor do medronheiro do jardim municipal.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Pôr do sol

Da linha do horizonte deduz-se a planura. É inverno, os ramos das árvores estão despidos de folhas: é tempo do descanso sazonal. O Sol põe-se iluminando o ar com cores de fogo. Se não fosse o rasto luminoso de um avião, diríamos que aqui não se vislumbra a mão humana.


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Mar e poesia no primeiro dia do ano


MAR, MAR E MAR

Tu perguntas, e eu não sei,
eu também não sei o que é o mar.

É talvez uma lágrima caída dos meus olhos
ao reler uma carta, quando é noite.
Os teus dentes, talvez os teus dentes,
miúdos, brancos dentes, sejam o mar,
um mar pequeno e frágil,
afável, diáfano,
no entanto sem música.

É evidente que a minha mãe me chama
quando uma onda e outra e outra
desfaz o seu corpo contra o meu corpo.
Então o mar é carícia,
luz molhada onde desperta
meu coração recente.

Às vezes o mar é uma figura branca
cintilando entre os rochedos.
Não sei se fita a água
ou se procura
um beijo entre conchas transparentes.

Não, o mar não é nardo nem açucena.
É um adolescente morto
de lábios abertos aos lábios da espuma.

É sangue,
sangue onde a luz se esconde
para amar outra luz sobre as areias.

Um pedaço de luz insiste,
insiste e sobe lenta arrastando a noite.
Os cabelos de minha mãe desprendem-se,
espalham-se na água,
alisados por uma brisa
que nasce exactamente no meu coração.
O mar volta a ser pequeno e meu,
anémona perfeita, abrindo nos meus dedos.

Eu também não sei o que é o mar.
Aguardo a madrugada, impaciente,
os pés descalços na areia.

EUGÉNIO DE ANDRADE

 

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Poesia em dia de Natal

EPÍGRAFE

Murmúrio de água  na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...

Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...

EUGÉNIO DE CASTRO

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Medronhos

Flores e frutos coincidem neste tempo de final de outono. Os frutos ainda demoram um pouco a ficar maduros. As flores estão em botão.

Mas, observando alguns ramos, eis que as pequenas cápsulas vão estando abertas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Casa e mar

O soneto de Vitorino Nemésio fez-me recordar o mar da Póvoa de Varzim. Associação que não sei explicar e que pode não ter qualquer sentido. Apenas eu e o mar.

A CONCHA

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inicência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos  esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

VITORINO NEMÉSIO

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Mar e poesia

Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
- Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.

E a vista sonda, reconstrui, compara.
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
- Ó fúlgida visão, linda mentira!

Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...

CAMILO PESSANHA

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Paisagem e poesia

PRESSÁGIO

A caminho dum olho (por sinal bem bonito)
aguça-se um estilhaço de contente,
como um dente que vê um manjar «esquisito»...

Leva anos, ainda, a assassina viagem:
o estilhaço, por enquanto, é só um mito,
e, plácido, o olho deixa entrar a paisagem...

ALEXANDRE O'NEILL