Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Vegetal

TARDE

A tarde trabalhava
sem rumor
no âmbito feliz das suas nuvens,
conjugava
cintilações e frémitos,
rimava
as ténues vibrações
do mundo,
quando vi
o poema organizado nas alturas
reflectir-se aqui,
em ritmos, desenhos, estruturas
duma sintaxe que produz
coisas aéreas como o vento e a luz.

Carlos de Oliveira

domingo, 8 de julho de 2012

Mar

INSCRIÇÃO

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 29 de junho de 2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Olival


PAISAJE

El campo
de olivos
se abre y se cierra
como un abanico.
Sobre el olivar
hay un cielo hundido
y una lluvia oscura
de luceros frios.
Tiembla junco y penumbra
a la orilla del rio.
Se riza el aire gris.
Los olivos,
están cargados
de gritos.
Una bandada
de pájaros cautivos,
que mueven sus larguísimas
colas en lo sombrío.

Federico Garcia Lorca

domingo, 17 de junho de 2012

Cegonha

Também é tempo de cegonhas. Já fazem parte das paisagens rurais e urbanas.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Xisto

A perfeição geológica nas "folhas" de xisto.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Orquídeas e poesia

As minhas orquídeas
TERRAÇO ABERTO

Terraço aberto
aos ventos e aos astros
crivado
das balas de frescura
das ranhuras do sol

muros
onde vejo dedos
muros fraternos
de meus ossos

aqui respiro
através das flores
da chaminé
nos planos brancos
nos montes azulados
nas velas brancas
nas areias douradas

aqui respiro
a claridade

António Ramos Rosa

sábado, 5 de maio de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 4 de abril de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

Gato

Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesado, lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O'Neill