Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
quarta-feira, 25 de abril de 2012
25 de Abril
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terça-feira, 10 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
Paisagem
terça-feira, 13 de março de 2012
Gato
Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesado, lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Alexandre O'Neill
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesado, lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Alexandre O'Neill
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sexta-feira, 9 de março de 2012
As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.
Ricardo Reis
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Imagem
Todas as tardes levo a minha sombra a beber
Como uma nuvem ao mar de que saiu o meu ser.
Não é mais doce a sombra do cavalo
Aberta pelo luar, e o dono a acompanhá-lo.
Levo essa sombra que destingue
Da minha alma e conserva uma mancha de mágoa;
Triste vestido que me cinge,
Deixou a cor no fundo da água.
Eu, cortado de mim como uma flor (e tenho
Vergonha de me sentir a flor), as mãos embebo
Nessa água que leva a visão de onde venho,
E é para a não perder que, bebendo-a, me bebo.
Vitorino Nemésio
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Abandono
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Argola e flor
Cravada na rocha, no início, a argola tinha a função de prender os animais usados para transporte de pessoas e cargas. Agora, tem uma função mais delicada: servir de suporte a uma planta que, num dia de janeiro e apesar do frio, floria para nosso contentamento.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Tempo
Este inverno frio e seco é muito preocupante. Agora, com a anunciada vaga de ar frio ártico, vamos ter temperaturas a que não estamos muito habituados, sobretudo nestas terras do sul. E tudo por culpa do anticiclone dos Açores...
domingo, 29 de janeiro de 2012
Medronheiro
No jardim só o medronheiro está florido. É janeiro e todas as outras plantas aguardam a chegada da primavera para exibirem as suas flores.
Só o medronheiro está florido e, ao mesmo tempo, os seus frutos amadurecem.
Só o medronheiro está florido e, ao mesmo tempo, os seus frutos amadurecem.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Apontamentos
Hoje de manhã, na Ponte Vasco da Gama: muitos flamingos nas salinas do Samouco.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Gatos
Era uma família numerosa que se alimentava ao sol. Este interrompeu a refeição para me olhar de frente talvez curioso por alguém se preocupar a fotografá-lo.
É sabido que os gatos são curiosos. Mas ao contrário do ditado, a curiosidade não o matou.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Nova música portuguesa
sábado, 24 de dezembro de 2011
Dia Santo
Dia de sol e de Natal;
Andam guerras no mundo e dói-me a vista;
Mas, com Deus no Marão sem neve, não há mal
Que resista.
De mais, fora do tempo este latim
Que o padre Bento sabe, basta
Para me transcender a mim
E a quantas mais notícias o correio arrasta.
MIGUEL TORGA
Em S. Martinho da Anta, Natal de 1940
Hoje também está dia de sol e não me consta que haja neve no Marão.
Andam guerras no mundo e dói-me a vista;
Mas, com Deus no Marão sem neve, não há mal
Que resista.
De mais, fora do tempo este latim
Que o padre Bento sabe, basta
Para me transcender a mim
E a quantas mais notícias o correio arrasta.
MIGUEL TORGA
Em S. Martinho da Anta, Natal de 1940
Hoje também está dia de sol e não me consta que haja neve no Marão.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Choça
Numa escola que já não é escola, certamente porque já há poucas ou nenhumas crianças na aldeia, fizeram uma réplica da choça que já foi habitação e também abrigo para o gado. É mais pequena que a original e não se entende a intenção desta construção quando, a algumas dezenas de metros se encontram as verdadeiras, embora algumas em adiantado estado de degradação. Seria para fins didáticos?
Como das crianças, neste espaço, só existem as lembranças, tornei-a numa imagem um pouco fantasmagórica.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
São mortos os que nunca acreditaram
Que esta vida é somente uma passagem,
Um atalho sombrio, uma paisagem
Onde os nossos sentidos se poisaram.
São mortos os que nunca alevantaram
De entre escombros a Torre de Menangem
Dos seus sonhos de orgulho e de coragem,
E os que não riram e os que não choraram.
Que Deus faça de mim, quando eu morrer,
Quando eu partir para o País da Luz,
A sombra calma de um entardecer,
Tombando, em doces pregas de mortalha,
Sobre o teu corpo heróico, posto em cruz,
Na solidão de um campo de batalha!
Florbela Espanca
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Buraco
De repente, reparei no muro onde a pintura começa a dar sinais de desgaste. Um buraco no muro, sublinhado por uma pedra.
Que interesse tem uma imagem destas? Afinal trata-se apenas de uma forma de drenar a água da chuva de um pátio.
No entanto, para lá da funcionalidade, fica a beleza das texturas e dos contrastes de cor.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Nascer do sol
No dia 26 de Outubro, no Alentejo. Com o passar do tempo, as condições meteorológicas agravaram-se, registando-se um grande temporal, com vento e chuva muito fortes.
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