sábado, 25 de fevereiro de 2012
Imagem
Todas as tardes levo a minha sombra a beber
Como uma nuvem ao mar de que saiu o meu ser.
Não é mais doce a sombra do cavalo
Aberta pelo luar, e o dono a acompanhá-lo.
Levo essa sombra que destingue
Da minha alma e conserva uma mancha de mágoa;
Triste vestido que me cinge,
Deixou a cor no fundo da água.
Eu, cortado de mim como uma flor (e tenho
Vergonha de me sentir a flor), as mãos embebo
Nessa água que leva a visão de onde venho,
E é para a não perder que, bebendo-a, me bebo.
Vitorino Nemésio
Etiquetas:
poesia,
Vitorino Nemésio
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Abandono
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Argola e flor
Cravada na rocha, no início, a argola tinha a função de prender os animais usados para transporte de pessoas e cargas. Agora, tem uma função mais delicada: servir de suporte a uma planta que, num dia de janeiro e apesar do frio, floria para nosso contentamento.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Tempo
Este inverno frio e seco é muito preocupante. Agora, com a anunciada vaga de ar frio ártico, vamos ter temperaturas a que não estamos muito habituados, sobretudo nestas terras do sul. E tudo por culpa do anticiclone dos Açores...
domingo, 29 de janeiro de 2012
Medronheiro
No jardim só o medronheiro está florido. É janeiro e todas as outras plantas aguardam a chegada da primavera para exibirem as suas flores.
Só o medronheiro está florido e, ao mesmo tempo, os seus frutos amadurecem.
Só o medronheiro está florido e, ao mesmo tempo, os seus frutos amadurecem.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Apontamentos
Hoje de manhã, na Ponte Vasco da Gama: muitos flamingos nas salinas do Samouco.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Gatos
Era uma família numerosa que se alimentava ao sol. Este interrompeu a refeição para me olhar de frente talvez curioso por alguém se preocupar a fotografá-lo.
É sabido que os gatos são curiosos. Mas ao contrário do ditado, a curiosidade não o matou.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Nova música portuguesa
sábado, 24 de dezembro de 2011
Dia Santo
Dia de sol e de Natal;
Andam guerras no mundo e dói-me a vista;
Mas, com Deus no Marão sem neve, não há mal
Que resista.
De mais, fora do tempo este latim
Que o padre Bento sabe, basta
Para me transcender a mim
E a quantas mais notícias o correio arrasta.
MIGUEL TORGA
Em S. Martinho da Anta, Natal de 1940
Hoje também está dia de sol e não me consta que haja neve no Marão.
Andam guerras no mundo e dói-me a vista;
Mas, com Deus no Marão sem neve, não há mal
Que resista.
De mais, fora do tempo este latim
Que o padre Bento sabe, basta
Para me transcender a mim
E a quantas mais notícias o correio arrasta.
MIGUEL TORGA
Em S. Martinho da Anta, Natal de 1940
Hoje também está dia de sol e não me consta que haja neve no Marão.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Choça
Numa escola que já não é escola, certamente porque já há poucas ou nenhumas crianças na aldeia, fizeram uma réplica da choça que já foi habitação e também abrigo para o gado. É mais pequena que a original e não se entende a intenção desta construção quando, a algumas dezenas de metros se encontram as verdadeiras, embora algumas em adiantado estado de degradação. Seria para fins didáticos?
Como das crianças, neste espaço, só existem as lembranças, tornei-a numa imagem um pouco fantasmagórica.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
São mortos os que nunca acreditaram
Que esta vida é somente uma passagem,
Um atalho sombrio, uma paisagem
Onde os nossos sentidos se poisaram.
São mortos os que nunca alevantaram
De entre escombros a Torre de Menangem
Dos seus sonhos de orgulho e de coragem,
E os que não riram e os que não choraram.
Que Deus faça de mim, quando eu morrer,
Quando eu partir para o País da Luz,
A sombra calma de um entardecer,
Tombando, em doces pregas de mortalha,
Sobre o teu corpo heróico, posto em cruz,
Na solidão de um campo de batalha!
Florbela Espanca
Etiquetas:
Florbela Espanca,
poesia
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Buraco
De repente, reparei no muro onde a pintura começa a dar sinais de desgaste. Um buraco no muro, sublinhado por uma pedra.
Que interesse tem uma imagem destas? Afinal trata-se apenas de uma forma de drenar a água da chuva de um pátio.
No entanto, para lá da funcionalidade, fica a beleza das texturas e dos contrastes de cor.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Nascer do sol
No dia 26 de Outubro, no Alentejo. Com o passar do tempo, as condições meteorológicas agravaram-se, registando-se um grande temporal, com vento e chuva muito fortes.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Garça
Garça repousando na água, aproveitando uma área de pouca profundidade da albufeira. A quietude da água e a luz do pôr do sol contribuíam para criar uma atmosfera irreal, com a sombra da garça definindo uma notável simetria.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
![]() |
As palavras mais nuas
as mais tristes.
As palavras mais pobres
as que vejo
sangrando na sombra e nos meus olhos.
Que alegria elas sonham, que outro dia.
para que rostos brilham?
Procurei sempre um lugar
onde não respondessem,
onde as bocas falassem num murmúrio
quase feliz,
as palavras nuas que o silêncio veste.
Se reunissem para uma alegria nova,
que o pequenino corpo
de miséria
respirasse o ar livre,
a multidão de pássaros escondidos,
a densidade das folhas, o silêncio
e um céu azul e fresco.
António Ramos Rosa
Etiquetas:
António Ramos Rosa,
poesia
sábado, 8 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
Crepúsculo
porque desastrada mão me estendo
e procuro sem achar
o crepúsculo o vazio estar
o transformar da tarde em vento
porque espreito se cego vejo
o entardecer sereno
o bosque o caudal ameno
da água que vibra sem desejo
calmo fico olhando a tarde
o voo das aves sobre os insectos
e o ar anil que me repousa
e abaixo a mão que já não ousa
mostrar a serenidade dos afectos
em que a alma por vezes arde
Henrique Ruivo
e procuro sem achar
o crepúsculo o vazio estar
o transformar da tarde em vento
porque espreito se cego vejo
o entardecer sereno
o bosque o caudal ameno
da água que vibra sem desejo
calmo fico olhando a tarde
o voo das aves sobre os insectos
e o ar anil que me repousa
e abaixo a mão que já não ousa
mostrar a serenidade dos afectos
em que a alma por vezes arde
Henrique Ruivo
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Nem com outrem nem por ti somente
cometas jamais ação de que
envergonhar-te possas.
E acima de tudo respeita-te
a ti próprio.
A justiça em atos e palavras
pratica-la-ás depois.
Pela menor das coisas não te habitues
a decidir-te sem refletir.
PITÁGORAS
cometas jamais ação de que
envergonhar-te possas.
E acima de tudo respeita-te
a ti próprio.
A justiça em atos e palavras
pratica-la-ás depois.
Pela menor das coisas não te habitues
a decidir-te sem refletir.
PITÁGORAS
Subscrever:
Mensagens (Atom)











