sábado, 8 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
Crepúsculo
porque desastrada mão me estendo
e procuro sem achar
o crepúsculo o vazio estar
o transformar da tarde em vento
porque espreito se cego vejo
o entardecer sereno
o bosque o caudal ameno
da água que vibra sem desejo
calmo fico olhando a tarde
o voo das aves sobre os insectos
e o ar anil que me repousa
e abaixo a mão que já não ousa
mostrar a serenidade dos afectos
em que a alma por vezes arde
Henrique Ruivo
e procuro sem achar
o crepúsculo o vazio estar
o transformar da tarde em vento
porque espreito se cego vejo
o entardecer sereno
o bosque o caudal ameno
da água que vibra sem desejo
calmo fico olhando a tarde
o voo das aves sobre os insectos
e o ar anil que me repousa
e abaixo a mão que já não ousa
mostrar a serenidade dos afectos
em que a alma por vezes arde
Henrique Ruivo
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Nem com outrem nem por ti somente
cometas jamais ação de que
envergonhar-te possas.
E acima de tudo respeita-te
a ti próprio.
A justiça em atos e palavras
pratica-la-ás depois.
Pela menor das coisas não te habitues
a decidir-te sem refletir.
PITÁGORAS
cometas jamais ação de que
envergonhar-te possas.
E acima de tudo respeita-te
a ti próprio.
A justiça em atos e palavras
pratica-la-ás depois.
Pela menor das coisas não te habitues
a decidir-te sem refletir.
PITÁGORAS
sábado, 24 de setembro de 2011
Peixinhos vermelhos
A bica que jorrava da fonte criava ondulações, agitando a água límpida do tanque. Três peixinhos vermelhos nadavam quais baratas tontas no pequeno tanque, fugindo da minha sombra. Com uma ajuda, consegui fisgá-los.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Em dia de equinócio
![]() |
| Pôr do sol no dia 20 de Setembro de 2011 |
Que é andar o Sol lá fora?
É andar no céu subindo
um escarcéu de fogo vivo,
sacudindo e refulgindo
pepitas de ouro nativo?
Isso é Sol andar lá fora?
Será estarem-se abismando
cataratas de foliões,
ondas e ondas pulsando
no jogo das radiações?
Será isso o Sol lá fora?
Será somente um cansaço,
uma tépida roupagem,
um filtro, uma beberagem
que ande acenando no espaço?
Ou será um brinco de oiro
nas pupilas de quem se ama,
estertor de peixinho loiro
com um brilhante em cada escama?
Será isso o Sol lá fora?
Eu conheço um Sol doirado
que é das minhas relações,
não tem céu determinado,
não destila mel coado
nem propaga ondulações.
Não é bem Sol. É desejo,
desejo de que Sol fosse,
um cromático solfejo,
amargo de sabor doce.
Esse circular sem centro,
esse esperar a qualquer hora,
esse ilumnar por dentro,
será isso o Sol lá fora?
ANTÓNIO GEDEÃO
domingo, 18 de setembro de 2011
ACORDAR TARDE
todas as flores murchas que alguém te ofereceu
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte
procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer
irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de sal tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia
AL BERTO
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte
procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer
irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de sal tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia
AL BERTO
sábado, 10 de setembro de 2011
![]() | |||
| Sé de Évora |
gostava de ir voando até à sé
sentar-me lá em cima no zimbório
e ouvir os sinos tocar
ver o casario da cidade à volta
e a velha cisterna lá muito em baixo
apanhar o sol das quatro horas
que entra pelos vitrais
e vai bater nas costas dos cónegos
que cantam sozinhos no coro
nestes dias de calor
gostava de subir ao mais alto da sé
e atirar-me de lá
de cabeça para baixo
Henrique Ruivo
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Flores de papel
As flores de papel, efémeros ornamentos de uns dias. Trabalho de meses que acabou num monte de lixo que demora a ser retirado das ruas. Mas foi bonito...
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Se eu pudesse dizer-te: - Senta aqui
nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,
ó amável bichinho, o pêlo fino;
depois, a contra-pêlo, provocar-te!
Se eu pudesse juntar no mesmo fio
(infinito colar!) cada arrepio
que aos viajeiros comprazidos dedos
fizesse descobrir novos enredos!
Se eu pudesse fechar-te nesta mão,
tecedeira fiel de tantas linhas,
de tanto enredo imaginário, vão,
e incitar alguém: - Vê se adivinhas...
Então um fértil jogo amor seria.
Não este descerrar a mão vazia!
ALEXANDRE O'NEILL
nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,
ó amável bichinho, o pêlo fino;
depois, a contra-pêlo, provocar-te!
Se eu pudesse juntar no mesmo fio
(infinito colar!) cada arrepio
que aos viajeiros comprazidos dedos
fizesse descobrir novos enredos!
Se eu pudesse fechar-te nesta mão,
tecedeira fiel de tantas linhas,
de tanto enredo imaginário, vão,
e incitar alguém: - Vê se adivinhas...
Então um fértil jogo amor seria.
Não este descerrar a mão vazia!
ALEXANDRE O'NEILL
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Alexandre O'Neill,
poesia
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Horizonte
o horizonte
é o monte
é o casario
é onde nasce o rio
e a água da fonte
o horizonte
é lá muito além
é o perder de vista
onde já nada exista
e até as árvores calem
é onde me encontro
é onde me perco
é p'ra lá de tão longe
onde as palavras fogem
e fica só eco
Henrique Ruivo
é o monte
é o casario
é onde nasce o rio
e a água da fonte
o horizonte
é lá muito além
é o perder de vista
onde já nada exista
e até as árvores calem
é onde me encontro
é onde me perco
é p'ra lá de tão longe
onde as palavras fogem
e fica só eco
Henrique Ruivo
domingo, 14 de agosto de 2011
Todos por um
A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos concerteza
Santos
Mártires
e Heróis
Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.
Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de recorrer à vala comum
Mário Cesariny
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos concerteza
Santos
Mártires
e Heróis
Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.
Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de recorrer à vala comum
Mário Cesariny
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Jardim
Gosto de jardins sombreados. Qualquer que seja a hora do dia, no verão, pode-se gozar a frescura proporcionada pelas árvores. Neste jardim da vila de Redondo, o caminho é ladeado de tílias que formam um túnel onde apetece passear e permanecer.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Procura
Entre naufrágios de sonhos
e puzzles de espelhos,
dia a dia
me procurei.
E a vida não vai chegar
para uma imagem
que não seja feita de estilhaços,
acerados,
sem sentido.
LUÍSA DACOSTA
e puzzles de espelhos,
dia a dia
me procurei.
E a vida não vai chegar
para uma imagem
que não seja feita de estilhaços,
acerados,
sem sentido.
LUÍSA DACOSTA
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Viagens - Saragoça
quinta-feira, 14 de julho de 2011
| Festas do Povo 2004 |
Aproxima-se a data das Festas do Povo 2011. Na noite de 26 para 27 de Agosto, todo o trabalho realizado durante meses irá para a rua. Até dia 5 de Setembro, a vila vai transfigurar-se.
Foi um período de intenso trabalho de algumas pessoas da rua, uma vez que a decisão sobre a Festas foi relativamente tardia.
Veremos que surpresas nos são reservadas.
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Campo Maior,
Festas do Povo
domingo, 10 de julho de 2011
Fado
Música: Fado Menor
Letra: Cuca Roseta
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Viagens - Saragoça
sábado, 2 de julho de 2011
Viagens - Saragoça
domingo, 26 de junho de 2011
Fado
Uma das melhores fadistas.
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