Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Era assim...

Rua antiga de Loures
... antes da grande expansão urbana. A aldeia transformou-se em cidade mas ainda guarda algumas memórias da aglomeração saloia.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Água

Rio Xévora, aliás, Gévora.
LIÇÃO SOBRE A ÁGUA

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, ínsipida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas a vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

ANTÓNIO GEDEÃO

domingo, 15 de maio de 2011

Serenidade

Vegetação luxuriante e o rumorejar da água na pequena cascata que acentua o desnível entre os dois sectores do rio, onde foram construídas piscinas naturais. Rio Xévora, ou melhor Gévora, porque corresponde ao curso deste rio em território espanhol.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Porque é Primavera...

... e os meus gerânios estão em plena floração.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sobreposição

Musgo sobre tronco de árvore. Aprendíamos na escola que, quando queríamos orientarmo-nos e não tínhamos bússola, a observação dos troncos das árvores podia indicar-nos o Norte. Esta árvore tem esta parte do tronco bem orientada a Norte.

sábado, 23 de abril de 2011

Barco e poesia

Barco na Albufeira do Alqueva

Barcarola

Um violino geme
Em um barco, singrando
No meu sonho, tão brando
Como a curva do leme.

Prolonga-lhe a derrota,
De leve espuma, um rastro;
E, no topo do mastro,
Leva uma gaivota.

Mas no fio de espuma
Onde o sonho se enreda,
É um bicho-de-seda
Num casulo de bruma!

E eu acordo a pensar
Em como se parece
Minha vida com esse
Leve barco a singrar…

Carlos Queiroz

terça-feira, 19 de abril de 2011

Cortina de flores

As glicínias da pérgola do jardim municipal floresceram exuberantemente e inundaram o ar com o seu perfume forte.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Fotos

Não tenho particular interesse em fotografar o interior das igrejas. Isso poupa-me a frustração de não o poder fazer devido ao facto de, na maior parte dos casos, nelas ser proibido captar qualquer tipo de imagens.
É verdade que, nas minhas andanças por estas terras alentejanas, o mais frequente é encontrar as igrejas fechadas, a não ser que a visita coincida com horas e dias de celebrações litúrgicas.
No entanto, aconteceu há alguns dias deambular por uma povoação que tem uma forte função turística. As igrejas estavam abertas e em cada uma delas estava uma pessoa encarregada de vigiar e de dar algumas informações sobre o monumento. Espreitei para o interior de uma, mas chamaram-me a atenção uns belíssimos batentes na porta, a qual se encontrava entreaberta. Para evitar problemas, perguntei à pessoa se podia fotografar os batentes. Fez uma cara de espanto e, depois de um compasso de espera, lá me respondeu que não havia problema em fazer as fotos.
Suponho que deve ter ficado a pensar que aparecem turistas com manias muito esquisitas...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Primavera

Gerânio rosa em início de floração. Passados alguns dias, está coberto de flores.

sábado, 9 de abril de 2011

Pôr do Sol

Luz que esmorece afogada no horizonte.
Trevas que se vão instalando.
Até que amanhã se cumpram o movimento de rotação
e a luz volte a substituir as trevas.
Perpétuo movimento
cíclico
por onde se vai se desfiando a vida.

sábado, 2 de abril de 2011

Ponte da Ajuda

Ponte fortificada que já serviu para ligar os termos de Elvas e de Olivença. Agora não é mais do que um monumento em ruína. Destruída no início do século XVIII, assim permanece até aos dias de hoje.
As águas do rio Guadiana, mesmo em Fevereiro, estão muito mais altas do que era habitual devido à influência da barragem do Alqueva.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Folhado (Viburno tinus) florido a anunciar a Primavera

Certeza

Sereno, o parque espera.
Mostra os braços cortados,
E sonha a primavera
Com seus olhos gelados.

É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e semente.

Basta que um novo sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.

Miguel Torga

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não é fácil o amor...






A GRANDE MÚSICA PORTUGUESA - E OS GRANDES CANTORES

Letra de Luis Andrade
Música de Janita Salomé
Arranjos de Janita Salomé e José Manuel Marreiros

Incluída no disco "A Cantar ao Sol". 1983

sábado, 12 de março de 2011

O sismo no Japão

As imagens correm mundo e dão a dimensão da catástrofe. O efeito do tsunami foi devastador e ainda se desconhecem, na totalidade, as consequências sobre as centrais nucleares.
Estes fenómenos naturais servem para nos apercebermos da nossa condição, tão vulneráveis como quaisquer outros seres vivos, perante as forças da natureza. Mas os riscos que corremos são ainda maiores porque, na ilusão de dominar o meio natural, esqueceram-se as suas leis. 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Jardins

A Primavera começa a anunciar-se. No jardim, os freixos já têm folhas novas, de um verde claro, que vão compondo as suas copas. Ainda há muitas árvores em que os brotos mal se notam, como é o caso das tílias. Alguns arbustos já exibem as suas flores: o folhado, a grinalda de noiva e outros.
Uma pequena árvore, a ameixieira, tem os ramos cobertos das pequenas flores brancas que se vêem aqui. A maior parte das folhas há-de vir depois.
Não consigo pensar na Primavera sem a associar a árvores que se renovam, a flores que desabrocham e enchem o ar com o seu perfume. 
No entanto, há jardins onde quase não se dá pela chegada da Primavera, onde não há o perfume das flores, porque desapareceram as silindras, os lilases... Agora, predomina a relva e a lantana.
 

quinta-feira, 3 de março de 2011

"Limpeza" florestal no Caia

Acácias-mimosas na área florestal da Barragem do Caia

De há uns tempos para cá, tem-se vindo a fazer uma intervenção na área florestal da Barragem do Caia, imediatamente a jusante da mesma e na margem esquerda do rio: foram cortadas árvores, algumas delas mortas, diminuindo bastante a densidade do arvoredo. Desconheço qual a entidade que tem jurisdição sobre aquele espaço, mas não posso deixar de considerar estranha aquela “limpeza”, porque permaneceram intocados os numerosos exemplares de acácia mimosa (Acacia dealbata Link), alguns já árvores, outros como rebentos disseminados no terreno.
Estas observações levam-me a considerar que, quem orientou a designada limpeza da área, não teve em consideração as espécies em presença, nomeadamente as classificadas como invasoras no Anexo I do Decreto-Lei n.º 565/99 de 21 de Dezembro. Neste documento explicita-se o conceito de espécie invasora como “espécie susceptível de, por si própria, ocupar o território de uma forma excessiva, em área ou em número de indivíduos, provocando uma modificação significativa nos ecossistemas”. Uma vez instalada e disseminada uma espécie invasora, os processos que podem levar à sua erradicação são especialmente complexos e onerosos.
Ora:
a.      A acácia mimosa é uma das espécies classificadas de invasoras no Anexo I do Decreto-Lei n.º 565/99 de 21 de Dezembro;
b.      De acordo com a ficha elaborada sobre esta espécie, que pode ser consultada no site Plantas Invasoras em Portugal, da responsabilidade do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra,
                    i.            É provavelmente a espécie invasora mais agressiva em sistemas terrestres;
                  ii.            Rebenta vigorosamente de touça e raiz, bem como pelas numerosas sementes, cuja germinação é estimulada pelo fogo. Forma povoamentos muito densos que impedem o desenvolvimento da vegetação nativa, diminuem o fluxo dos cursos de água e aumentam a erosão;
                iii.            As metodologias de controlo são muito complexas e exigem uma monitorização rigorosa.
Pelas razões aduzidas, não se entende que critérios foram definidos para a realização da limpeza da referida área florestal, uma vez que a espécie que deveria ser alvo preferencial dessa limpeza, lá continua a prosperar, enquanto outras espécies não invasoras terão sido abatidas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mês de Orlando Ribeiro

Fundação de São Paulo. Foto da Wikipédia

"Destino e prestígio de São Paulo
Há quatrocentos anos, uma fundação religiosa modestíssima criava o germe de uma cidade nova numa região que se pode considerar desfavorecida. O solo era pobre, o clima áspero. O clima de São Paulo não tem,  de modo nenhum, a doçura tropical. Se por um lado possui os altos e baixos de temperatura que estimulam o organismo dos imigrantes europeus, por outro lado a garoa ou nevoeiro é molesto e provoca afecções respiratórias frequentes entre eles. São Paulo está mal colocado, afogado de certo modo nas perspectivas da sua expansão, entre a serra do Mar pelo norte e a serra da Cantareira pelo sul. São Paulo fica no meio de uma terra sulcada de rios, com várzeas pantanosas, alagadiças, que durante muito tempo foram um obstáculo a que o povoamento as invadisse, expandindo-se a cidade, não ao longo dos vales, mas sobretudo nos interflúvios, em retalhos de planalto que os rios separam uns dos outros. Mas São Paulo tem, para compensar, um sítio desvantajoso, uma situação extraordinariamente favorável, uma situação que é realmente a mesma da velha aldeia de Piratininga, uma "boca de sertão", uma cidade com um porto de mar próximo e um caminho sempre aberto para o interior. Isto fez a fortuna das suas "bandeiras" e um como anúncio da sua expansão comercial através de todo o imenso território do Brasil.
São Paulo não é uma cidade bonita. Permito-me apenas citar o depoimento de Aroldo de Azevedo que, se como paulista ama entranhadamente a sua terra, como geógrafo procura ser, mesmo com ela, objectivo. "Não tem nenhuma das belezas que fazem o encanto da cidade do Rio de Janeiro, nem o pitoresco da cidade pernambucana, nem o aspecto urbanizado de Belo Horizonte." É uma cidade americana na sua fisionomia, na estrutura da população, na medida que adoptou para todas as coisas, medida constituída  muito menos pelos valores espirituais do que pelo dinheiro, pela velocidade, pela eficiência, pelo culto destes três grandes deuses que dominam o mundo moderno. É uma cidade que certamente um europeu precisa de fazer um esforço para amar. Faltam-lhe aqueles pontos de referência para nós habituais, uma antiguidade, uma nobreza que só o tempo dá, uma riqueza de monumentos (esta cidade de há quatrocentos anos não tem uma velha igreja!); faltam-lhe os arrabaldes rurais que de certo modo tornam ainda, por contraste, mais vigorosa uma expressão urbana. Quem levantar voo de São Paulo para pousar em Lima, do outro lado dos Andes, notará um contraste extraordinário entre esta cidade que quase se diria banal e aquela rara flor de encanto ibérico, a que nenhum americanismo ainda murchou qualquer pétala.
Mas, se São Paulo não é uma cidade de que se goste, sobretudo nas impressões de um primeiro contacto, se é uma cidade desnorteante para aqueles valores urbanos a que um europeu está habituado, é, em todo o caso, para um homem de estudo, um grande tema de reflexão. São Paulo exemplifica talvez, com mais clareza do que qualquer outra cidade do mundo, um dos temas  da vida dos nossos dias: a atracção urbana, um cadinho de gentes, a possibilidade de trazer imigrantes de toda a parte fundindo-os, a despeito da desigualdade de raças, num tipo temperamental único; é um lugar exíguo onde as populações lutam pelo trabalho,  para onde os homens vêm porque acreditam que, tornando-se cidadãos desta cidade, redimem a miséria do seu passado. São Paulo é, nesse sentido, realmente um símbolo do Brasil de hoje: uma grande experiência humana, experiência cujos resultados não podem seguir-se sem inquietação, mas experiência realmente feita à escala das enormes proporções deste país e que os espíritos reflexivos não podem deixar de seguir com entusiasmo."

Orlando Ribeiro (1994). "São Paulo. Do Campo da Piratininga à Metrópole do Brasil". Opúsculos Geográficos. V Volume: Temas Urbanos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. pp 488-490.
(Artigo publicado pela primeira vez em 1955)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Mês de Orlando Ribeiro

 O vulcão da Ilha do Fogo e a Chã das Caldeiras

"A Ilha do Fogo é o mais belo exemplo, no Oceano Atlântico, de um aparelho eruptivo completo, emergindo das ondas com a regularidade de um modelo clássico. Esse aparelho resultou da sucessão de várias fases, cada uma marcada na topografia da ilha por um conjunto de formas. O cone primitivo, truncado pelo cimo da Bordeira, tinha dimensões gigantescas e aparece rodeado de fiadas ou rosários de pequenos cones adventícios de cinzas e de lavas, montículos regulares, com ou sem cratera conservada, que de qualquer ponto que a vista abranja se contam por dezenas.
A Chã das Caldeiras formou-se posteriormente a esta fase eruptiva, por um abatimento circular gigantesco da parte superior do cone primitivo. A ilha perdeu altura; mas a actividade eruptiva; mas a actividade eruptiva renasceu no interior da depressão assim formada. A acumulação de cinzas, escórias e lavas edificou o cone secundário, conhecido geralmente por "Vulcão", pois conserva, com admirável frescura, a forma destes acidentes. Em todo o caso, não se conhece nenhuma erupção deste cone. A chaminé vulcânica deve estar obturada por um tampão de lava, que só uma erupção violenta poderá remover. A pressão dos gases internos vai abrindo outros caminhos: a série de fendas radiais profundas que rodeiam o cone e deram saída aos materiais eruptivos que formam os pequenos cones adventícios do interior da Chã. Esta espécie de "filhos do vulcão" constitui, na história das erupções da ilha, a sua última geração - a única com que os habitantes parece terem travado conhecimento.
Por estas fendas se dá a subida de lavas de bolsas profundas, que ao fim de algumas semanas se esvaziam."

(Texto datado de 1952)

Orlando Ribeiro (1990). "As Erupções do Fogo e a Vida na Ilha". Opúsculos Geográficos. III Volume: Aspectos da Natureza. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p. 26