Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ir ao cinema

Ser avó tem destas coisas: era inevitável ir ao cinema com o neto mais velho, neste final de férias de Natal. Escolhemos o dia de hoje, primeira sessão de um filme classificado M6, claro, de animação e, inevitavelmente em 3D. O filme até é engraçado - Entrelaçados - muito ao estilo dos estúdios da Disney. Mas não pode deixar de ser estranho estar numa sala com mais de 300 lugares, sendo que a ocupação não excederia muito a dezena. 
Claro que saí de lá com uma certa dor de cabeça por causa dos benditos óculos...

sábado, 25 de dezembro de 2010

Loa




É nesta mesma lareira,
E aquecido ao mesmo lume,
Que confesso a minha inveja
De mortal
Sem remissão
Por esse dom natural,
Ou divina condição,
De renascer cada ano,
Nu, inocente e humano
Como a fé te imaginou,
Menino Jesus igual
Ao do Natal
Que passou.

Miguel Torga

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Árvore e poesia


Nesta luz quase louca
que se prende aos telhados
às árvores aos cabelos das mulheres
aos olhos mais sombrios
falamos de ti do teu alto exemplo
e é com intimidade que o fazemos
falamos de ti como se fosses
a árvore mais luminosa
ou a mulher mais bela mais humana
que passasse por nós com os olhos da vertigem
arrastando toda a luz consigo.

Alexandre O’Neill

sábado, 11 de dezembro de 2010

Paisagem e poesia

A morte é curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.


Fernando Pessoa

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Aridez

Algures, no interior da Península Ibérica, a grande aridez condiciona a ocupação humana. Uma pequeena povoação surge numa depressão entre montes quase nús de vegetação.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Caminhar sem fim ou a cantiga da roda



Na altura em que os programas de M. Giacometti foram transmitidos pela RTP 1, assisti a grande parte deles. No entanto, houve um episódio que me ficou na memória: a de uma mulher velha que entoava uma canção enquanto realizava o penoso trabalho de fazer mover a roda que elevava a água da ribeira para abastecer os canais de rega. O cansaço dela era contagioso na sua caminhada sem fim. A cantiga, servindo para, de certo modo, aligeirar a dureza da tarefa, acentuava ainda mais o esforço enorme que era necessário para a realizar.
São imagens de um tempo que, felizmente, pertence ao passado. Mas que não devemos esquecer, nem que seja para valorizar o que hoje temos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Música popular tradicional


A recentemente iniciada publicação, pelo jornal Público, dos vídeos do programa da RTP 1 "Povo de Canta", proporciona o contato com preciosas formas de cultura popular, algumas já desaparecidas. Entre as canções gravadas por Giacometti, esta de Catarina Chitas, da Beira Baixa, é particularmente comovente e encantadora.
Esta e outras intervenções de cantores e tocadores populares, vêm demonstrar a adulteração a que a música tradicional popular foi sujeita por via dos chamados ranchos e grupos folclóricos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Rio Ebro

Puente de Piedra sobre o Rio Ebro

O Rio Ebro é um dos quatro grandes rios da Península Ibérica e o único cujo percurso é feito exclusivamente em território espanhol. Nasce na Cordilheira Cantábrica e desagua no Mediterrâneo. Não sendo o mais longo (o maior é o Tejo), é, no entanto, o mais caudaloso.


Era o único que me faltava conhecer, embora o contato se tenha limitado à cidade de Saragoça. Na foto, a Ponte de Piedra, edificada no século XV e restaurada no século XVII.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Atração turística

Já aqui mostrei algumas fotografias do Parque do Monasterio de Piedra, que visitei no princípio do mês de Novembro. Pode considerar-se um oásis no meio de uma região calcária, caracterizada pela secura. No entanto, uma funda garganta e o rio Piedra, proporcionam condições ecológicas para o desenvolvimento de uma vegetação ribeirinha, constituída por uma sucessão de árvores mais ou menos adaptadas a situações de encharcamento do solo: junto do rio aparecem os salgueiros, a seguir os choupos, depois os ulmeiros e outras espécies.
Encontram-se no parque algumas árvores cujo tronco e altura revelam uma idade bastante avançada. Pude observar alguns exemplares de lódão-bastardo (Celtis australis L.) e de choupo-negro (Populus nigra L.). Existem também muitas árvores jovens, de que se destacam os plátanos.
A abundância de água é patente em vários pontos do parque. No entanto, algumas das quedas de água não são naturais. 
Tratando-se de uma propriedade particular é natural que esteja bem cuidada e, pelo que pude observar, pelo número de visitantes e pelos preços praticados, quer à entrada, quer nos produtos e serviços que são prestados, deve ser uma empresa rentável.
No entanto, no meio de toda esta beleza, há uma atração turística que me pareceu muito discutível. Trata-se do espetáculo do vôo das rapinas. Num cercado existem alguns exemplares de rapinas diurnas (águias, abutres...) e nocturnas, presas por correntes a poleiros. Em determinadas horas, segundo a informação, serão postas a voar. Não sei em que condições porque não assisti. Mas pude observar as condições em que as aves vivem. E não me pareceu que fossem as melhores.

Uma das rapinas nocturnas, em pleno dia, presa no tronco que lhe serve de poleiro

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Improviso

Aos ventos que passavam,
Por não poder com elas
Atirei um punhado de palavras.
Se rápidas voavam,
Depressa regressavam
E tombavam
Como no céu, às vezes, as estrelas,
Ou pétalas de flor no chão.

E o meu poema, os ventos o dirão...

José Régio

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Equilíbrio

Um lódão-bastardo (Celtis australis L.), surgindo da parede de calcário. Parque do Monasterio de Piedra, Saragoça, Espanha.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Voo

Por um momento, as suas mãos ali pousaram,
Como aves no ninho.
Depois abriram-se, e voaram.
Saberão o caminho?

José Régio

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cascatas

Cascatas e cores de Outono no parque do Monasterio de Piedra, Saragoça, Espanha.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Outono 2

Contrastes de cores: o róseo dos calcários e a variedade da vegetação do profundo vale, com as cores outonais. Parque do Monasterio de Piedra. Saragoça, Espanha

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Outono

Parque do Monasterio de Piedra, Saragoça. 1 de Novembro de 2010.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Verbo

Quis soltar-te, Palavra
Que a frio me arrebatas e incendeias,
Espírito a correr nas minhas veias,
Sangue em meu cérebro, - sustento
Do que, sem Ti, só fora
Fingir um fingimento!
Quis soltar-te, Palavra,
Rainha todo poderosa, e escrava
Coberta de cadeias!
Quis descerrar-te, aurora!
Sol debaixo de nuvens, quis abrir
Nas frestas dos teus muros
O rasgão de infinito em que brilhasses!
Minha língua e meus lábios são impuros:
Impurificam tudo;
Quase sempre me deixam falar mudo;
Falaram antes que falasses.
Ao vento andam dispersos
Os sons antecipados que soltaram.
Mas se, de lnge em longe, o Poeta alcançou versos,
É só porque, Verbo impoluto,
Aos minúsculos nossos universos
Quaisquer sinais chegaram
Do teu inacessível Absoluto.

José Régio

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Equilíbrio

Esferas de granito a embelezar o espaço público.

"Em Portalegre,cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Morei numa casa velha,
Velha, grande, tosca e bela,
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela..."
(...)

(lembrando o poema de José Régio, Toada de Portalegre)