Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Improviso

Aos ventos que passavam,
Por não poder com elas
Atirei um punhado de palavras.
Se rápidas voavam,
Depressa regressavam
E tombavam
Como no céu, às vezes, as estrelas,
Ou pétalas de flor no chão.

E o meu poema, os ventos o dirão...

José Régio

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Equilíbrio

Um lódão-bastardo (Celtis australis L.), surgindo da parede de calcário. Parque do Monasterio de Piedra, Saragoça, Espanha.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Voo

Por um momento, as suas mãos ali pousaram,
Como aves no ninho.
Depois abriram-se, e voaram.
Saberão o caminho?

José Régio

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cascatas

Cascatas e cores de Outono no parque do Monasterio de Piedra, Saragoça, Espanha.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Outono 2

Contrastes de cores: o róseo dos calcários e a variedade da vegetação do profundo vale, com as cores outonais. Parque do Monasterio de Piedra. Saragoça, Espanha

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Outono

Parque do Monasterio de Piedra, Saragoça. 1 de Novembro de 2010.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Verbo

Quis soltar-te, Palavra
Que a frio me arrebatas e incendeias,
Espírito a correr nas minhas veias,
Sangue em meu cérebro, - sustento
Do que, sem Ti, só fora
Fingir um fingimento!
Quis soltar-te, Palavra,
Rainha todo poderosa, e escrava
Coberta de cadeias!
Quis descerrar-te, aurora!
Sol debaixo de nuvens, quis abrir
Nas frestas dos teus muros
O rasgão de infinito em que brilhasses!
Minha língua e meus lábios são impuros:
Impurificam tudo;
Quase sempre me deixam falar mudo;
Falaram antes que falasses.
Ao vento andam dispersos
Os sons antecipados que soltaram.
Mas se, de lnge em longe, o Poeta alcançou versos,
É só porque, Verbo impoluto,
Aos minúsculos nossos universos
Quaisquer sinais chegaram
Do teu inacessível Absoluto.

José Régio

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Equilíbrio

Esferas de granito a embelezar o espaço público.

"Em Portalegre,cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Morei numa casa velha,
Velha, grande, tosca e bela,
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela..."
(...)

(lembrando o poema de José Régio, Toada de Portalegre)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fim de tarde no Alentejo

Fim de tarde. Grossas nuvens encobrem o Sol que declina. O canavial ergue as suas inflorescências acuminadas, como se quisesse romper as nuvens. Dali a pouco, e um pouco mais longe, seria o esplendor do pôr-do-sol.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Regata

Sábado. Uma tarde de Outono que mais parecia de Verão. Ia realizar-se uma regata na albufeira do Abrilongo. Porque o espetáculo dos veleiros deslizando sobre as águas não é muito comum por estas paragens, era quase obrigatório percorrer os poucos quilómetros que nos separam da barragem.
Mas o homem põe e a meteorologia dispõe. Uma calma imensa tornava a superfície das águas da albufeira um enorme espelho onde se refletiam os cúmulos, nuvens brancas que pontuavam no céu. Os veleiros praticamente não se moviam. Só mais para o fim da tarde uma brisa começou a correr e então a superfície das águas começou a encrespar-se e os veleiros moveram-se.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Murta

A murta (Myrtus communis L.) é um arbusto comum no Sul de Portugal, em matos e áreas ripícolas. É uma planta de que sempre ouvi falar porque as suas folhas entravam no tempero das azeitonas de conserva, juntamente com o loureiro e os oregãos. Dos frutos fazia-se licor, deixando-os a macerar durante algum tempo em aguardente e depois juntando um xarope de açúcar. O gosto era agradável e a cor de um azul violeta muito bonito. 
Já há muito tempo que deixei de fazer azeitonas de conserva e licor de murtunhos. Agora, gosto sobretudo de fotografar a murta, seja com as suas lindíssimas flores, seja com os frutos, estes num parque que gosto muito de visitar.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Coro



Ontem começámos os ensaios do coro.

domingo, 10 de outubro de 2010

O Jardim

O jardim está brilhante e florido,
Sobre as ervas, entre as folhagens,
O vento passa, sonhador e distraído,
Peregrino de mil romagens.

É Maio ácido e multicolor,
Devorado pelo próprio ardor,
Que nesta clara tarde de cristal
Avança pelos caminhos
Até os fantásticos desalinhos
Do meu bem e do meu mal.

E no seu bailado levada
Pelo jardim deliro e divago,
Ora espreitando debruçada
Os jardins do fundo do lago,
Ora perdendo o meu olhar
Na indizível verdura
Das folhas novas e tenras
Onde eu quero saciar
A minha longa sede de frescura.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vicente Amigo e a sua guitarra


A primeira vez que ouvi e vi tocar Vicente Amigo foi num espectáculo das festas que anualmente se realizam em Loures, no mês de Julho. Fiquei completamente rendida ao virtuosismo do músico.
As Festas do Concelho eram um acontecimento cultural importante porque representavam uma oportunidade de ver grandes nomes da música portuguesa. Por lá tive oportunidade de ver Fausto, Luís Represas, Carlos do Carmo, Carlos Paredes e muitos outros. Memoráveis eram também os concertos das bandas, com especial destaque para a notável e excelente banda de Loures. Relembro como momento único o espectáculo de António Chaínho, acompanhado de Filipa Pais, Marta Dias e Ana Sofia Varela, na sequência da gravação do disco "A Guitarra e outras Mulheres". Era uma noite de chuva e não havia muito público. Pouco tempo depois do espectáculo começar, houve um corte da energia eléctrica que deixou os músicos sem som. Para não defraudar os que, como eu, estavam ali para os ouvir, chamaram-nos para junto do palco e tocaram e cantaram sem o auxílio dos amplificadores de som.
Foram momentos absolutamente mágicos.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Máquina de escrever

Todos os dias passo distraidamente pela máquina de escrever. Parece uma múmia, embrulhada na película transparente que a protege do pó. Descansa depois de muitos anos a matraquear as suas teclas.
Não sei quantos donos teve. Foi parar a uma casa comercial que se dedicava a comprar e reparar máquinas usadas. Pintaram-na de cor de rosa e, apesar de não ser muito grande - até era considerada semiportátil -, é bastante pesada. A minha velha Olivetti foi comprada há muito tempo, talvez  há cerca de meio século. Tinha teclado "internacional", conhecido também pela sequência das letras da primeira linha: AZERT. Era este e  o chamado teclado "nacional" - uma bizarria nacionalista - que eram ensinados nas escolas de dactilografia que proliferavam na altura em Lisboa. Mas entretanto, no trabalho, tinha começado a usar uma máquina importada da Alemanha que tinha um teclado esquisito e pouco usual. Não sei até se lhe tinham dado qualquer nome. Na parte superior do teclado, as letras alinham-se assim: QWERT. Consegui que o vendedor da máquina fizesse a troca dos tipos da máquina. E assim, a minha velha Olivetti exibe um teclado com a uma disposição das  letras igual à dos teclados que usamos nos computadores.

sábado, 2 de outubro de 2010

[Poema]

Uma tarde é tão pouco em nossa mão!
Os seus anéis deixados os pesamos
Com puros ohos; damos
Rigor ao que é recordação.

Depois a noite esculpe
Nossa extensão no sono.
A que erma catedral iremos nós de estátuas?
Sem um deus que nos culpe,
Tais anéis de outono
Somos imagens fátuas.

Vitorino Nemésio