quinta-feira, 30 de setembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Poema
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
domingo, 26 de setembro de 2010
Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não ouça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
O que vivi? Era tão bom dormir!
Álvaro de Campos
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não ouça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
O que vivi? Era tão bom dormir!
Álvaro de Campos
Etiquetas:
Fernando Pessoa e heterónimos,
poesia
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Ainda os filmes musicais
Era sem dúvida e continua a ser uma das minhas cenas preferidas.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Filmes musicais
No velho cinema, aos domingos e quintas-feiras, passavam filmes de vários géneros. Mas os musicais eram os que mais agradavam aos espectadores. Fred e Ginger eram, sem dúvida, o par dançante ideal. Parecia que flutuavam...
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
Álvaro de Campos
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
Álvaro de Campos
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poesia
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Textura
Desde há uns anos que gosto de ir fotografando o que vejo. Recentemente, ofereceram-me uma pequena máquina que cabe na mala com que ando todos os dias. Assim, não resisto a ir disparando quando vejo coisas que acho interessantes.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Monólogos simultâneos
Acontece quando duas pessoas se encontram e falam ao mesmo tempo, de preferência em tom muito alto.
sábado, 11 de setembro de 2010
Decorações
Nunca tive grande preocupação com a decoração da casa. Acima de tudo tem de ser funcional e não exigir demasiado trabalho.Talvez por isso não sou consumidora de literatura (revistas ou livros) sobre o tema. No entanto, gosto de ver o programa "Querido Mudei a Casa" que é transmitido pela SIC Mulher. Às vezes fico chocada com o "antes" porque revelam casos em que me custa a acreditar que as pessoas possam viver naquelas casas. O "depois" umas vezes é interessante, outras um autêntico pavor, pelo menos para o meu gosto. Então quando resolvem inspirar-se em ambientes orientais, é só véus a esvoaçar por todo o lado e uma amálgama de objetos de gosto duvidoso. Na maior parte das vezes penso que, apesar do resultado não ser mau, não gostaria de viver numa casa com aquela decoração. O que acho mais interessante são os materiais de construção ou revestimentos que, nalguns projetos são utilizados, e que me parecem uma boa alternativa aos tradicionais.
Talvez por isso, penso que nunca entregaria a decoração de uma casa minha a um decorador, a não ser com regras muito bem definidas. Ou seja, eu nunca serei candidata ao "Querido Mudei a Casa".
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Cozinhados
Sempre gostei muito de ver os programas de culinária que, ao longos dos anos foram sendo transmitidos pela televisão. Desde o de Maria de Lurdes Modesto, quando as emissões ainda eram a preto e branco, dos chefe Silva e Michel e de muitos outros que entretanto foram aparecendo (e desaparecendo). Recentemente, não apenas nos canais generalistas, mas também os que exigem a subscrição de um sistema por cabo, têm transmitido alguns programas de culinária famosos como o de Jaimie Olivier e, mais recentemente, o de Nigella Lawson.
Confesso que, apesar de seguir os programas, não tirava grande partido disso. Acontece o mesmo com os livros e revistas de culinária: tenho muitos mas raramente me dou ao trabalho de andar a procurar receitas para fazer. Acabo por cozinhar o que se tornou mais ou menos hábito, com especial destaque para os pratos da cozinha alentejana, ao fim e ao cabo, seguindo as minhas origens e a aprendizagem que fiz bastante cedo - noutros tempos as raparigas tinham obrigatoriamente de aprender a cozinhar...
Mas, nos últimos tempos, tenho andado fascinada com o programa da Nigella que é transmitido pela SIC Mulher. Dá gosto ver o prazer que ela tem a cozinhar e também a comer... Tratando-se de uma cozinha prática, tenho fixado algumas das receitas e experimentado, embora com adaptações, condicionada pelo facto de alguns ingredientes não se encontrarem no mercado (pelo menos aqui na vila). O resultado tem sido bom e aprovado cá em casa.
Apesar de, neste blogue, gambozinar por vários assuntos, não tenciono incluir aqui nada de cozinha. Tenho aproveitado para colocar essas experiências num blogue colectivo que criámos na Academia (embora, infelizmente, só eu o mantenho actualizado). Aqui e aqui, podem ser encontrados dois exemplos das minhas aventuras culinárias.
domingo, 5 de setembro de 2010
Redes sociais
Resisti durante muito tempo às solicitações que iam chegando à minha caixa de correio para aderir a algumas das redes sociais. No entanto, há relativamente pouco tempo, decidi registar-me no Facebook. Aos poucos fui recebendo pedidos de amizade e também fiz alguns. Confesso que não é coisa que me entusiasme e demorei algum tempo a perceber como funciona. Desde logo bloqueei o Farmville que acho pura perda de tempo.
O mais interessante foi encontrar pessoas que não vejo há alguns anos. Vou seguindo com interesse os seus comentários, as ligações que por vezes têm bastante interesse e as actividades de algumas escolas que conheci. Alguns dos novos contactos já me foram muito úteis, nomeadamente, na colaboração em actividades levadas a cabo pela Academia Sénior. As mensagens também têm sido um meio para troca de informações e de opiniões.
Pela minha parte, faço um ou outro comentário, mas vou colocando principalmente ligações com os meus blogues, sobretudo com fotos que ilustram a beleza das terras alentejanas.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Este Verão
No estudo do clima de Portugal, quando eram analisados os registos das estações meteorológicas, entre elas contava-se sempre a de Campo Maior por representar um caso especial no nosso território continental. Era uma das estações meteorológicas (entretanto desactivada) que apresentava valores extremos de temperatura, com verões quentes e invernos frios. Mas, o mais característico, era o facto de registar um elevado número de dias de calma, ou seja, sem vento. Recordei-me disto por causa das condições meteorológicas que têm marcado este verão, com um grande número de dias com temperaturas superiores e 40ºC de máxima e muitas noites com o termómetro sempre acima dos 20ºC, o que corresponde às chamadas "noites tropicais". Nos dias em que não há uma brisa para atenuar o intenso calor, a situação torna-se ainda mais insuportável, ultrapassando largamente o índice de conforto humano.
A vila transforma-se numa ilha de calor, com a sua alta densidade de construção a funcionar como acumulador de calor, o qual é depois libertado para as baixas camadas da atmosfera. À noite, se não há vento, sente-se o calor a escapar-se do pavimento e das paredes. Nem sequer o jardim é local de refúgio. Desde a "remodelação", as vastas superfícies pavimentadas de calçada e a fraca arborização, tornam-no um local pouco aprazível.
Com tudo isto, neste verão tenho experimentado uma sensação muito acentuada de clausura. A casa acaba por ser o único local onde ainda se goza de alguma frescura, por uma lado, graças às técnicas de construção antigas em que a pouca resistência dos materiais (construção em terra) era compensada com uma enorme largura das paredes; por outro, com processos de climatização que ajudam a suportar estas inclemências meteorológicas.
Esperemos que Setembro nos traga um pouco de fresco. Até porque as tarefas que se avizinham exigem o fim da clausura.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Proh pudor
Todas as noites ela me cingia
Nos braços com brandura gasalhosa;
Todas as noites eu adormecia,
Sentindo-a deslleixada e langorosa.
Todas as noites uma fantasia
Lhe emanava da fronte imaginosa;
Todas as noites tinha uma mania
Aquela concepção vertiginosa.
Agora, há quase um mês, modernamente,
Ela tinha um furor dos mais soturnos,
Furor original, impertinente...
Todas as noites ela, ó sordidez!
Descalçava-me as botas, os coturnos,
E fazia-me cócegas nos pés...
Cesário Verde
Nos braços com brandura gasalhosa;
Todas as noites eu adormecia,
Sentindo-a deslleixada e langorosa.
Todas as noites uma fantasia
Lhe emanava da fronte imaginosa;
Todas as noites tinha uma mania
Aquela concepção vertiginosa.
Agora, há quase um mês, modernamente,
Ela tinha um furor dos mais soturnos,
Furor original, impertinente...
Todas as noites ela, ó sordidez!
Descalçava-me as botas, os coturnos,
E fazia-me cócegas nos pés...
Cesário Verde
sábado, 28 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Falando de educação...
Todos os anos por esta altura o tema educação volta a estar na ordem do dia. Este ano, a decisão do Ministério da Educação de encerrar escolas do 1º ciclo do ensino básico com poucos alunos, tem sido objecto de muita discussão nos meios de comunicação social. Muita coisa se tem dito, nem sempre com a sensatez que o assunto requer.
Na televisão os repórteres afadigam-se a perguntar às famílias das crianças o que acham do fecho da escola da aldeia. Então, lá vêm os lamentos sobre a deslocação de 10 ou 20 quilómetros para a nova escola, o estarem todo o dia longe da família e outras razões que vão prejudicar gravemente o desenvolvimento das crianças. Nestas alturas, lembro-me sempre de uma rotina diária a que assisti durante muitos anos que consistia na passagem dos autocarros de colégios (alguns dos quais dos mais conceituados de Lisboa) que, de manhã muito cedo, se iam enchendo de crianças, muitas delas com idade inferior às que frequentam o 1º ciclo do ensino básico, e que só voltavam para as devolver às famílias no fim da tarde. Pela lógica dos entrevistados, a maioria da população dos grandes centros urbanos deve sofrer graves distúrbios por causa da vida a que foram sujeitos enquanto crianças.
No casos dos autarcas, começaram a ser mais comedidos nas críticas, apenas esperando que o orçamento do estado alargue os cordões à bolsa para custear os transportes escolares.
Quanto aos sindicatos, é daí que vêm as críticas mais violentas. Diz-se que o fecho das escolas é mais um factor de "desertificação" do interior. Evidentemente que o despovoamento do interior, com a diminuição da população jovem, é a verdadeira causa para o fecho das escolas e não consequência.
A agricultura que, em tempos recuados, ocupava grande parte da população, entrou em decadência ou mecanizou-se. As alternativas não existem para uma população jovem mais escolarizada que procura oportunidades de trabalho e não as encontra nem nas aldeias, nem na maioria dos pequenos centros urbanos do interior. A solução é sempre a mesma: deslocação para os grandes centros urbanos do litoral ou para o estrangeiro.
Os sindicatos, no entanto, não confessam abertamente a razão das suas posições: elas são fundamentalmente corporativas e de manutenção de um certo estado de coisas. Defender os postos de trabalho é louvável, mas não pode ser feito contra o interesse das crianças, muitas vezes esquecido quando se discutem as questões relacionadas com a educação. Em que condições podem aprender as crianças (sejam elas 10 ou 20) que estão integradas numa turma onde se leccionam os quatro anos do 1º ciclo do ensino básico? Como pode um professor trabalhar com níveis aceitáveis de qualidade nesta situação? Durante alguns anos ouvi testemunhos de professores deste grau de ensino que se lamentavam da dificuldade em desempenharem a sua missão nestas condições e, ainda, dos constrangimentos com que se confrontavam no que respeita à socialização e aos necessários estímulos ao desenvolvimento das crianças.
As autarquias têm-se empenhado na construção dos centros escolares, os quais dispõem de equipamentos e de pessoal que, caso decidam adoptar um projecto educativo de qualidade, podem proporcionar experiências educativas que nunca estarão ao alcance das pequenas escolas. Neste sentido, o fecho das escolas não pode ser encarado como mera medida economicista, mas como uma necessidade para melhorar a qualidade educativa.
Nota: Num comentário a um post do blogue Campo Maior na Internet fiquei a saber que em Degolados haverá mais de 35 crianças em idade de frequentar o 1º ciclo. No entanto, no próximo ano lectivo a escola da aldeia conta apenas com uma dezena de alunos. Quanto aos restantes, os pais terão decidido matriculá-los nas escolas de Campo Maior.
domingo, 22 de agosto de 2010
Felicidade
A felicidade sentava-se todos os dias no peitoril da janela.
Tinha feições de menino inconsolável.
Um menino impúbere
ainda sem amor para ninguém,
gostando apenas de demorar as mãos
ou de roçar lentamente o cabelo pelas faces humanas.
E, como menino que era,
achava um grande mistério no seu próprio nome.
Jorge de Sena
Tinha feições de menino inconsolável.
Um menino impúbere
ainda sem amor para ninguém,
gostando apenas de demorar as mãos
ou de roçar lentamente o cabelo pelas faces humanas.
E, como menino que era,
achava um grande mistério no seu próprio nome.
Jorge de Sena
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Flores da tipuana
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
A formusura desta fresca serra,
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;
O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;
Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos oferece,
Me está, se não te vejo, magoando.
Sem ti tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando
Nas mortes alegrias mor tristeza.
Luis de Camões
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;
O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;
Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos oferece,
Me está, se não te vejo, magoando.
Sem ti tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando
Nas mortes alegrias mor tristeza.
Luis de Camões
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
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