sábado, 31 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Cinismos
Eu hei-de-lhe falar lugubremente
Do meu amor enorme e massacrado,
Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.
Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado,
Chamar-lhe minha cruz e meu calvário,
E ser menos que um Judas empalhado.
Hei-de abrir-lhe o meu íntimo sacrário
E desvendar-lhe a vida, o mundo, o gozo,
Como um velho filósofo lendário.
Hei-de mostrar, tão triste e tenebroso,
Os pegos abismais da minha vida,
E hei-de olhá-la dum modo tão nervoso.
Que ela há-de, enfim, sentir-se constrangida,
Cheia de dor, tremente, alucinada,
E há-de chorar, chorar enternecida!
E eu hei-de, então, soltar uma risada.
Cesário Verde
Do meu amor enorme e massacrado,
Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.
Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado,
Chamar-lhe minha cruz e meu calvário,
E ser menos que um Judas empalhado.
Hei-de abrir-lhe o meu íntimo sacrário
E desvendar-lhe a vida, o mundo, o gozo,
Como um velho filósofo lendário.
Hei-de mostrar, tão triste e tenebroso,
Os pegos abismais da minha vida,
E hei-de olhá-la dum modo tão nervoso.
Que ela há-de, enfim, sentir-se constrangida,
Cheia de dor, tremente, alucinada,
E há-de chorar, chorar enternecida!
E eu hei-de, então, soltar uma risada.
Cesário Verde
terça-feira, 27 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Salvamento do Filho
Vejo o filho levado pela mosca
e estremeço de horror!
Tirado do berço pela mosca,
aprende, aos zigue-zagues, a ser vítima da mosca,
mas não chora: um homem nunca chora.
A mosca agiganta-se, o filho diminui.
Um ruído de ventoinha invade o quarto.
Passa por mim a mosca, passa em tromba.
Vi com estes que a terra há-de comer
meu róseo filho que sorria!
Ó meu filho arrebatado que inocência a tua!
Essa fera peluda vai sugar-te
e tu sorris fininho, entre divertido e assustado,
como se a tripulasse num carrocel de feira!
E eu para aqui, tão caçador de moscas
numa infância tão aferroada,
sem um gesto, sequer uma palavra...
Mas de repente a mão disparo
no mesmo assomo colegial
perseguidor de moscas (era nas aulas de moral...)
e enquanto na direita a mosca se interroga,
na concha da mão esquerdao filho cai - e chora!
Alexandre O'Neill
e estremeço de horror!
Tirado do berço pela mosca,
aprende, aos zigue-zagues, a ser vítima da mosca,
mas não chora: um homem nunca chora.
A mosca agiganta-se, o filho diminui.
Um ruído de ventoinha invade o quarto.
Passa por mim a mosca, passa em tromba.
Vi com estes que a terra há-de comer
meu róseo filho que sorria!
Ó meu filho arrebatado que inocência a tua!
Essa fera peluda vai sugar-te
e tu sorris fininho, entre divertido e assustado,
como se a tripulasse num carrocel de feira!
E eu para aqui, tão caçador de moscas
numa infância tão aferroada,
sem um gesto, sequer uma palavra...
Mas de repente a mão disparo
no mesmo assomo colegial
perseguidor de moscas (era nas aulas de moral...)
e enquanto na direita a mosca se interroga,
na concha da mão esquerdao filho cai - e chora!
Alexandre O'Neill
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
No Jardim do Meu Pai
Agora possa dizer o quanto me doíam
a dureza do teu silêncio e as
veredas por onde te sumias
no teu exílio, ilha, o olhar
presos na última réstea de luz que no
mar se afoga.
A voz antiga que se impunha não
falar da tua ausência
enchia-a e distraído
de mim apenas via nela as secas flores
murchas da memória.
Meu ignorado
mestre de enigmas os que percorriam o teu
sorriso breve
só por ti eram sabidos
ocultos na curva doce dos dias
que medias a olhar o teu
próprio fim.
Não mos podias tu ensinar a mim
nem eu aprendê-los de ti podia.
António Dacosta
a dureza do teu silêncio e as
veredas por onde te sumias
no teu exílio, ilha, o olhar
presos na última réstea de luz que no
mar se afoga.
A voz antiga que se impunha não
falar da tua ausência
enchia-a e distraído
de mim apenas via nela as secas flores
murchas da memória.
Meu ignorado
mestre de enigmas os que percorriam o teu
sorriso breve
só por ti eram sabidos
ocultos na curva doce dos dias
que medias a olhar o teu
próprio fim.
Não mos podias tu ensinar a mim
nem eu aprendê-los de ti podia.
António Dacosta
segunda-feira, 19 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Poema do livre arbítrio
Há uma fatalidade intrínseca, insofismável,
inerente a todas as coisas e nelas incrustada.
Uma fatalidade que não se pode ludibriar,
nem peitar, nem desvirtuar,
nem entreter, nem comover,
nem iludir, nem impedir,
uma fatalidade fatalmente fatal,
uma fatalidade que só poderá deixar de o ser
para ser fatalidade de outra maneira qualquer,
igualmente fatal.
Eu sei que posso escolher entre o bem e o mal.
Eu sei que posso fatalmente escolher entre o bem e o mal.
E já sei que escolho o bem entre o mal e o bem.
Já sei que escolho fatalmente o bem.
Porque escolher o bem é escolher fatalmente o bem,
como escolher o mal é escolher fatalmente o mal.
O meu livre arbítrio
conduz-me fatalmente a uma escolha fatal.
António Gedeão
inerente a todas as coisas e nelas incrustada.
Uma fatalidade que não se pode ludibriar,
nem peitar, nem desvirtuar,
nem entreter, nem comover,
nem iludir, nem impedir,
uma fatalidade fatalmente fatal,
uma fatalidade que só poderá deixar de o ser
para ser fatalidade de outra maneira qualquer,
igualmente fatal.
Eu sei que posso escolher entre o bem e o mal.
Eu sei que posso fatalmente escolher entre o bem e o mal.
E já sei que escolho o bem entre o mal e o bem.
Já sei que escolho fatalmente o bem.
Porque escolher o bem é escolher fatalmente o bem,
como escolher o mal é escolher fatalmente o mal.
O meu livre arbítrio
conduz-me fatalmente a uma escolha fatal.
António Gedeão
quinta-feira, 15 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Hoje, poesia
Perdi os meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los!
Quebrei as minhas lanças uma a uma!
Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? -
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu cordel,
Perdi meu elmo de oiro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...
Florbela Espanca
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los!
Quebrei as minhas lanças uma a uma!
Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? -
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu cordel,
Perdi meu elmo de oiro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...
Florbela Espanca
sábado, 10 de julho de 2010
A fruta da minha região
A fruta da minha região… este é o tema da blogagem de Julho. Ora bem… qual é a fruta da minha região? Nasci numa vila do distrito de Portalegre e vivo actualmente noutra vila do mesmo distrito. Admitindo que posso considerar o distrito uma região, é preciso dar algumas voltas à cabeça para descobrir a tal fruta. Serão as uvas? Que elas dão bom vinho, parece-me haver consenso sobre isso. Mas fruta de comer… Ah! Já sei: cerejas! Cerejas da Serra de S. Mamede! Até há uma feira em Portalegre, no mês de Junho, que se chama a Feira das Cerejas. E podem crer que as de S. Julião são mesmo boas. Ou julgavam as nossas amigas beirãs que cerejas era só no Fundão?
Se lhe apetecer, pode ir lá comentar.
NOTA: As cerejas da foto são mesmo de S. Julião, Parque Natural da Serra de S. Mamede, concelho de Portalegre.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Alentejo com Extremadura espanhola à vista
domingo, 27 de junho de 2010
Paisagem alentejana em Junho
sexta-feira, 25 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
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