Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Dia Mundial da Paz

Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. 
É este o título da mensagem do Papa Bento XVI para celebração do Dia da  Paz, 1 de Janeiro, cujo conteúdo, notável e importante, devia ser objecto de atenta reflexão por parte de crentes e não crentes do catolicismo. Tem por tema-base a necessidade de preservação da natureza e a consciência de que o homem não pode dissociar-se do sistema de que faz parte e que o sustenta. A consciência ecológica e a defesa do ambiente não podem ser encarados como moda mas como algo urgente e imprescindível para a sobrevivência da vida na Terra. 
Destaco dois conceitos que considero de extrema importância e que, nos dias que passam, estão mais ou menos afastados do nosso quotidiano dominado pelo consumismo e por sentimentos egoístas: sobriedade e solidariedade.

"A humanidade tem necessidade de uma profunda renovação cultural; precisa de redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme sobre o qual se pode construir um futuro melhor para todos. As situações de crise que está atravessando, de carácter económico, alimentar, ambiental ou social, no fundo são também crises morais e estão todas interligadas. Elas obrigam a projectar de novo a estrada comum dos homens. Impõem, de maneira particular, um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade, com novas regras e formas de compromisso, apostando com confiança e coragem nas experiências positivas realizadas e rejeitando decididamente as negativas. É o único modo de fazer com que a crise actual se torne uma ocasião para discernimento e nova projectação." 


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Outros natais

O ritual repetia-se todos os anos. A preparação do Natal era uma festa. Na chaminé afastava-se o fogão de gás para dar lugar ao madeiro e às achas que crepitavam, dando calor e alegrando a cozinha. A partir daí cozinhava-se nas brasas da lareira com as panelas de barro vidrado. No dia 24, pela tardinha, começavam a chegar os filhos que estavam longe, migrados para uma Lisboa a que a falta de trabalho na vila tinha obrigado a demandar em busca de uma vida mais desafogada.
Ultimava-se o jantar. Não havia ainda a moda de cozinhar bacalhau porque este era o peixe dos dias normais, naquele tempo ainda dos mais baratos. Assava-se lombo de porco e um petisco muito apreciado que era coelho bravo assado nas brasas, desfiado e temperado com uma mistura de cebola picada, alho, salsa, azeite e vinagre. O recheio das azevias já estava pronto e a massa era amassada já no fim do dia. Durante o serão havia de ser estendida com o rolo sobre a tábua do tender o pão, cortada com o cartel e frita em azeite que crepitava num tacho assente sobre uma trempe, sob a qual se iam mantendo as brasas bem vivas. As filhós e as azevias iam saindo estaladiças e, depois de polvilhadas com açúcar e canela, não havia ninguém que resistisse a ir provando estes deliciosos fritos tradicionais do Natal. Passava-se o serão à volta da lareira, alargando-se a roda à medida que iam chegando os membros da família.
Depois era a festa das crianças. À meia-noite o Menino Jesus vinha trazer as prendas: uns chocolates, umas meias ou outra qualquer peça de roupa. Claro que as figurinhas de chocolate eram as mais apreciadas.
Era um Natal sem a ida às celebrações religiosas que se realizavam na igreja. Por esses tempos, o Alentejo era considerado uma terra de missão pela Igreja Católica, dada a fraca participação das pessoas nos actos religiosos.  
No dia 25, era a altura de cozinhar o perú que antes tinha sido devidamente tratado: embebedado ainda em vida com aguardente e depois atrozmente degolado para se aproveitar o sangue que iria servir para fazer o arroz de cabidela do almoço. Para o jantar, canja e perú assado.
Depois, no dia seguinte, tudo voltava ao que era a vida de sempre.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Falemos então de Natal


  • Natal, data simbólica em que se festeja o nascimentos de Cristo, filho de Deus, vindo ao mundo para resgatar os pecados dos Homens. Nascimento que significa a esperança de nos redimirmos da nossa condição humana e aspirarmos a uma eternidade de bem-aventuranças.
  •  Natal das tradições. Das filhós e das azevias feitas à lareira. Do presépio construído com figurinhas e musgo retirado das pedras do muro da azinhaga. Do tempo em que ainda não havia Pai Natal e os presentes (figurinhas de chocolate) eram trazidos, à meia-noite, pelo Menino Jesus.
  • Natal, festa da família. Mas que família? A que reune várias gerações para celebrar o amor e a harmonia das relações familiares? Este mito da perfeição repetido à exaustão, faz com que se sintam profundamente infelizes os que não estão incluídos neste idealizado grupo.
  • Natal, símbolo acabado do consumismo mais desenfreado. Dos centros comerciais onde circulam pessoas submetidas à necessidade criada artificialmente de comprar presentes. Das coisas úteis e inúteis que se adquirem para trocar por outras úteis ou igualmente inúteis. Do dinheiro gasto e que em Janeiro há-de faltar.
Seja como for, desejos de um FELIZ NATAL!
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Este texto faz parte da blogagem colectiva O Natal na minha terra

domingo, 13 de dezembro de 2009

Nevoeiro


O rio Xévora numa tarde de Dezembro com nevoeiro.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pequenos gestos

Por estes dias, devido à cimeira de Copenhaga, muito se fala nas alterações climáticas e na necessidade de reduzir a emissão de gases com efeito de estufa. Este objectivo depende de políticas desenvolvidas a nível dos estados de todo o mundo, mas também depende de cada um de nós.
Uma boa notícia foi hoje dada: a instalação, em Portugal, de uma fábrica de baterias para automóveis eléctricos, o que significa que a indústria automóvel está apostada em fabricar modelos que não emitem gases poluentes.
Enquanto os veículos eléctricos não chegam em larga escala ao mercado, o que está previsto para 2011, nós podemos, com pequenos gestos, contribuir para o combate à poluição. Numa vila relativamente pequena, não se justifica o uso intensivo do automóvel, além de que andar a pé é saudável.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Imagens da Albufeira do Caia


No final de Novembro, num dia muito enevoado.
Compare-se a primeira imagem com esta, datada do dia 18 de Março de 2007

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Situação da albufeira do Caia






Apesar das chuvas do Outono, as quais não foram muito abundantes até final do mês de Novembro, a situação da albufeira do Caia continua preocupante com 28,9% da sua capacidade máxima, muito inferior aos 42,9%  registados no mesmo mês do ano anterior.
Nos últimos dias tem chovido, mas vai ser necessário que chova muito mais e durante bastante tempo para que os efeitos se possam reflectir na água armazenada na albufeira, porque só haverá escorrência quando os terrenos da bacia do Caia estiverem saturados de água.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Tempo de laranjas



"As laranjas foram este ano mais abundantes e opulentas. Brilhavam nos seus ninhos de um verde pálido, como lanternas embaladas pelo vento, aparecendo aqui e além por entre as árvores batidas pelo sol. Era como se quisessem celebrar a nossa partida da ilha - porque finalmente a muito esperada mensagem de Nessim tinha chegado para regressarmos ao mundo das trevas." (Lawrence Durrel. Clea.) 

domingo, 22 de novembro de 2009

Outono

Outono

Plátanos na estrada entre Vila Fernando e Elvas, num dia cinzento de Outono.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Fados

Existe na região de Lisboa uma rádio dedicada ao fado. Chama-se Amália. Ouvem-se fados que não passam geralmente nas outras rádios, mas também os fadistas consagrados.
Uma das variantes temáticas do fado é aquela onde se conta uma história. Ouvi um absolutamente extraordinário, embora não saiba quem o canta, porque um dos problemas desta rádio é que põem os discos a tocar e praticamente não há locução de continuidade, a não ser em momentos excepcionais.
Neste fado conta-se a história de um montado onde existia um grande sobreiro que se destacava pelas bolotas e pela qualidade da cortiça, sendo o orgulho das outras árvores. Num dia de tempestade, com grandes trovões, um raio rasgou o céu e incendiou o grande sobreiro. No seu lugar, mais tarde, cresceu um chaparro, mas, em certos momentos, ouviam-se as árvores a chorar pelo sobreiro que era o orgulho do montado.
Moral da história que conclui a letra do fado: mesmo quando alguém morre, a sua memória perdura naqueles que o amaram.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A propósito de castanhas

Castanhas da Serra de S. Mamede


O magusto, para mim, é uma não tradição. Claro que, vivendo na minha infância e juventude próximo da Serra de S. Mamede, única área do Alentejo onde o castanheiro aparece, é natural que, em casa, no Outono, se cozessem e assassem castanhas. Mas isso não correspondia a nenhuma celebração especial.

É verdade que as castanhas assadas eram muito apreciadas. Mas, para mim, nada se comparava às deliciosas bolotas, assadas na cinza da lareira, as quais eram apanhadas em azinheiras seleccionadas, estando assim garantida a sua qualidade e doçura.
Em magustos dignos desse nome, só comecei a participar nos que se faziam na escola onde dei aulas, no concelho de Loures. No dia de S. Martinho, não falhava a castanha assada ou cozida e o alcoólico acompanhamento líquido. Claro que, como era para muita gente, nem sempre a qualidade estava presente. Castanhas frias, às vezes demasiado assadas, não eram propriamente um petisco convidativo.
No entanto, na minha memória ainda persiste uma história relacionada com castanhas. Uma tia paterna vivia no concelho do Montijo, numa altura em que as comunicações eram difíceis e os produtos não viajavam como actualmente. Acontece que a tia gostava muito de castanhas e elas não apareciam à venda naquela região. Então, o irmão, meu pai, encarregava-se de lhe enviar todos os anos uma encomenda de castanhas que ia despachar nas camionetas que asseguravam o transporte de pessoas e produtos entre as várias regiões, demorando, por vezes vários dias.
À laia de compensação, a tia todos os anos nos mandava um caixote de odoríferas maçãs que perfumavam a casa durante o tempo que levavam a ser consumidas. Há muito tempo que não encontro estas maçãs à venda e tenho sobretudo saudades do seu intenso cheiro.

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Este texto faz parte da blogagem colectiva "O meu magusto"


domingo, 15 de novembro de 2009

Lugares

Não se trata apenas de mudar de lugar. É evidente que os contrastes são grandes, não apenas pelas características físicas que diferenciam uma pequena vila do interior alentejano da cidade grande. É sobretudo pelas relações que as pessoas estabelecem que encontro as grandes diferenças. Da exposição permanente e do escrutínio acerca de comportamento e atitudes, ao anonimato total ou parcial que proporciona um sentimento de liberdade. Da possibilidade de usufruir de meios que uma grande cidade proporciona. Até de ouvir estações de rádio que não chegam ao interior...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Outono

Plátano na Ribeira de Nisa

Fim
Falam por mim os plátanos da rua:
Deixam cair as folhas amarelas,
E ficam hirtos na friagem nua
Como mastros sem velas.

Miguel Torga

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quinta dos Olhos d'Água

Visitei há dias a Quinta dos Olhos d'Água, no concelho de Marvão. Da lagoa onde borbulhava a água, resta muito pouco: apenas um charco invadido por juncos. O barulho constante produzido por motores indica que a água desta nascente continua a ser bombada para abastecer, em parte, a cidade de Portalegre.
Estive neste local há muitos anos e tive, naquele momento, a noção exacta das modificações que ele sofreu com a exploração da água para abastecimento público. No entanto, continua a ser um sítio muito interessante para visitar. É a sede do Parque Natural da Serra de S. Mamede e neste espaço se pode observar uma grande diversidade de coberto arbóreo e arbustivo. Nesta altura, os ouriços dos castanheiros abriam-se para lançar por a terra as castanhas.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sábado

No sábado passado estive praticamente todo o dia em Elvas. O motivo que lá me levou foi a inauguração da exposição da pintora Fernanda Brazão, no Museu da Fotografia. No entanto, fui logo de manhã porque precisava de comprar um candeeiro a petróleo para satisfazer uma encomenda que me foi feita. Não foi difícil encontrar a loja onde podia encontrar o referido objecto. Já a conhecia de há muito tempo, desde que estive um ano a leccionar na escola secundária. Lá estava a mesma senhora a atender os clientes, um pouco mais velha do que quando a conheci, há uns bons trinta anos. Na altura já devia ter idade para se reformar, mas lá continua firme no seu posto a vender objectos que não são muito fáceis de encontrar noutros estabelecimentos comerciais.
Um pouco por acaso, tive a oportunidade de assistir a uma sessão no MACE (Museu de Arte Contemporânea de Elvas), onde o fotógrafo Edgar Martins explicou a sua obra. Foi uma sessão extraordinária que me permitiu descobrir um artista com uma obra de grande fôlego e um curriculum invejável, reconhecido internacionalmente.
De tarde, o encontro no Museu da Fotografia com a pintora Fernanda Brazão, onde pude admirar as telas que mostram toda a sua sensibilidade na utilização do traço e da cor.

domingo, 1 de novembro de 2009

Situação da albufeira do Caia


A pouca chuva que caíu neste início de Outono não compensou a quantidade de água que foi perdida pela albufeira do Caia. Os 29,1% do total da capacidade de armazenagem registados no final de Outubro são verdadeiramente preocupantes. Note-se que, nesta data do ano anterior se registavam 43,7% da capacidade de armazenagem.
É estranho que as entidades locais que beneficiam da exploração da água desta albufeira nada digam sobre esta situação. Será que nunca ouviram a máxima popular: "Vale mais prevenir do que remediar"?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Medronhos

Frutos de Outono, banhados pela luz do Sol.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Rosas de Outono

Foi num jardim, num dia de finais de Outubro. As rosas resplandeciam banhadas pelo Sol e pelo ar limpo, depois das primeiras chuvas de Outono.
Era inevitável que as fotografasse, registando o momento de beleza, à espera que a Primavera traga o desabrochar de novas flores nas roseiras, depois do merecido descanso invernal.

sábado, 24 de outubro de 2009

Cores de Outono


Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
Miguel Torga

segunda-feira, 19 de outubro de 2009