"As laranjas foram este ano mais abundantes e opulentas. Brilhavam nos seus ninhos de um verde pálido, como lanternas embaladas pelo vento, aparecendo aqui e além por entre as árvores batidas pelo sol. Era como se quisessem celebrar a nossa partida da ilha - porque finalmente a muito esperada mensagem de Nessim tinha chegado para regressarmos ao mundo das trevas." (Lawrence Durrel. Clea.)
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Fados
Existe na região de Lisboa uma rádio dedicada ao fado. Chama-se Amália. Ouvem-se fados que não passam geralmente nas outras rádios, mas também os fadistas consagrados.
Uma das variantes temáticas do fado é aquela onde se conta uma história. Ouvi um absolutamente extraordinário, embora não saiba quem o canta, porque um dos problemas desta rádio é que põem os discos a tocar e praticamente não há locução de continuidade, a não ser em momentos excepcionais.
Neste fado conta-se a história de um montado onde existia um grande sobreiro que se destacava pelas bolotas e pela qualidade da cortiça, sendo o orgulho das outras árvores. Num dia de tempestade, com grandes trovões, um raio rasgou o céu e incendiou o grande sobreiro. No seu lugar, mais tarde, cresceu um chaparro, mas, em certos momentos, ouviam-se as árvores a chorar pelo sobreiro que era o orgulho do montado.
Moral da história que conclui a letra do fado: mesmo quando alguém morre, a sua memória perdura naqueles que o amaram.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
A propósito de castanhas
O magusto, para mim, é uma não tradição. Claro que, vivendo na minha infância e juventude próximo da Serra de S. Mamede, única área do Alentejo onde o castanheiro aparece, é natural que, em casa, no Outono, se cozessem e assassem castanhas. Mas isso não correspondia a nenhuma celebração especial.
É verdade que as castanhas assadas eram muito apreciadas. Mas, para mim, nada se comparava às deliciosas bolotas, assadas na cinza da lareira, as quais eram apanhadas em azinheiras seleccionadas, estando assim garantida a sua qualidade e doçura.
Em magustos dignos desse nome, só comecei a participar nos que se faziam na escola onde dei aulas, no concelho de Loures. No dia de S. Martinho, não falhava a castanha assada ou cozida e o alcoólico acompanhamento líquido. Claro que, como era para muita gente, nem sempre a qualidade estava presente. Castanhas frias, às vezes demasiado assadas, não eram propriamente um petisco convidativo.
No entanto, na minha memória ainda persiste uma história relacionada com castanhas. Uma tia paterna vivia no concelho do Montijo, numa altura em que as comunicações eram difíceis e os produtos não viajavam como actualmente. Acontece que a tia gostava muito de castanhas e elas não apareciam à venda naquela região. Então, o irmão, meu pai, encarregava-se de lhe enviar todos os anos uma encomenda de castanhas que ia despachar nas camionetas que asseguravam o transporte de pessoas e produtos entre as várias regiões, demorando, por vezes vários dias.
À laia de compensação, a tia todos os anos nos mandava um caixote de odoríferas maçãs que perfumavam a casa durante o tempo que levavam a ser consumidas. Há muito tempo que não encontro estas maçãs à venda e tenho sobretudo saudades do seu intenso cheiro.
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Este texto faz parte da blogagem colectiva "O meu magusto"
domingo, 15 de novembro de 2009
Lugares
Não se trata apenas de mudar de lugar. É evidente que os contrastes são grandes, não apenas pelas características físicas que diferenciam uma pequena vila do interior alentejano da cidade grande. É sobretudo pelas relações que as pessoas estabelecem que encontro as grandes diferenças. Da exposição permanente e do escrutínio acerca de comportamento e atitudes, ao anonimato total ou parcial que proporciona um sentimento de liberdade. Da possibilidade de usufruir de meios que uma grande cidade proporciona. Até de ouvir estações de rádio que não chegam ao interior...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Outono
Fim
Falam por mim os plátanos da rua:
Deixam cair as folhas amarelas,
E ficam hirtos na friagem nua
Como mastros sem velas.
Miguel Torga
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Quinta dos Olhos d'Água
Estive neste local há muitos anos e tive, naquele momento, a noção exacta das modificações que ele sofreu com a exploração da água para abastecimento público. No entanto, continua a ser um sítio muito interessante para visitar. É a sede do Parque Natural da Serra de S. Mamede e neste espaço se pode observar uma grande diversidade de coberto arbóreo e arbustivo. Nesta altura, os ouriços dos castanheiros abriam-se para lançar por a terra as castanhas.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Sábado
No sábado passado estive praticamente todo o dia em Elvas. O motivo que lá me levou foi a inauguração da exposição da pintora Fernanda Brazão, no Museu da Fotografia. No entanto, fui logo de manhã porque precisava de comprar um candeeiro a petróleo para satisfazer uma encomenda que me foi feita. Não foi difícil encontrar a loja onde podia encontrar o referido objecto. Já a conhecia de há muito tempo, desde que estive um ano a leccionar na escola secundária. Lá estava a mesma senhora a atender os clientes, um pouco mais velha do que quando a conheci, há uns bons trinta anos. Na altura já devia ter idade para se reformar, mas lá continua firme no seu posto a vender objectos que não são muito fáceis de encontrar noutros estabelecimentos comerciais.
Um pouco por acaso, tive a oportunidade de assistir a uma sessão no MACE (Museu de Arte Contemporânea de Elvas), onde o fotógrafo Edgar Martins explicou a sua obra. Foi uma sessão extraordinária que me permitiu descobrir um artista com uma obra de grande fôlego e um curriculum invejável, reconhecido internacionalmente.
De tarde, o encontro no Museu da Fotografia com a pintora Fernanda Brazão, onde pude admirar as telas que mostram toda a sua sensibilidade na utilização do traço e da cor.
Um pouco por acaso, tive a oportunidade de assistir a uma sessão no MACE (Museu de Arte Contemporânea de Elvas), onde o fotógrafo Edgar Martins explicou a sua obra. Foi uma sessão extraordinária que me permitiu descobrir um artista com uma obra de grande fôlego e um curriculum invejável, reconhecido internacionalmente.
De tarde, o encontro no Museu da Fotografia com a pintora Fernanda Brazão, onde pude admirar as telas que mostram toda a sua sensibilidade na utilização do traço e da cor.
domingo, 1 de novembro de 2009
Situação da albufeira do Caia

A pouca chuva que caíu neste início de Outono não compensou a quantidade de água que foi perdida pela albufeira do Caia. Os 29,1% do total da capacidade de armazenagem registados no final de Outubro são verdadeiramente preocupantes. Note-se que, nesta data do ano anterior se registavam 43,7% da capacidade de armazenagem.
É estranho que as entidades locais que beneficiam da exploração da água desta albufeira nada digam sobre esta situação. Será que nunca ouviram a máxima popular: "Vale mais prevenir do que remediar"?
É estranho que as entidades locais que beneficiam da exploração da água desta albufeira nada digam sobre esta situação. Será que nunca ouviram a máxima popular: "Vale mais prevenir do que remediar"?
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Rosas de Outono
Era inevitável que as fotografasse, registando o momento de beleza, à espera que a Primavera traga o desabrochar de novas flores nas roseiras, depois do merecido descanso invernal.
sábado, 24 de outubro de 2009
Cores de Outono
Outono
Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
Miguel Torga
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
Grande pote
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Barragem do Caia
A sua construção deve-se ao plano elaborado durante o Estado Novo, para reconversão da agricultura no Alentejo. No entanto, como testemunha a inscrição gravada no cilindro de pedra que se encontra no início da barragem, quando se vem de Campo Maior, os objectivos da construção desta barragem eram muito mais vastos.
“A rega é considerada magno problema de interesse simultaneamente económico, social e militar que como nenhum outro contribuirá para a valorização do património nacional, para a criação de riqueza pública, para a absorção do nosso excesso demográfico e para o desenvolvimento do comércio interno e externo do país.
Salazar"
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Situação da albufeira do Caia
Chegámos ao fim do mês de Setembro com a albufeira do Caia a apresentar um nível de armazenamento muito baixo, com 31,3%, o menor valor registado nos dois últimos anos hidrológicos. Note-se que, enquanto em 2007/2008, a curva dos valores mensais registados coincidiu com alguns dos dados mensais, em 2008/2009, as duas curvas estiveram muito afastadas, com valores mensais muito inferiores à média.Fonte: SNIRH
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Aloés
Esta planta da família Liliaceae e do género Aloë, o qual comporta várias espécies, terá uma origem mediterrânea e são-lhe atribuídas propriedades anti-inflamatórias, fungicidas, antibióticas e regeneradoras. É utilizada desde a Antiguidade no tratamento de várias enfermidades. Na medicina natural é recomendada para a osteoporose, diabetes, úlcera do estômago, colesterol, hipertensão e inflamação do intestino. (mais informação aqui)
Para além destas utilizações, acho que é uma planta bonita, sobretudo quando exibe as suas flores. Esta foi fotografada no pátio do castelo de Olivença, onde existem vários exemplares.
sábado, 26 de setembro de 2009
Visita a Olivença 6
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Visita a Olivença 5
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Visita a Olivença 4
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