Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

As árvores

Conheci Maria José Rijo, primeiro, através do seu blogue. No ano passado resolvi visitar a exposição dos seus trabalhos, expostos no Museu da Fotografia de Elvas, exactamente no dia em que se realizou a Procissão dos Pendões, a qual inicia as festas em honra do Senhor Jesus da Piedade. Como faltava algum tempo para a procissão, pudemos falar um pouco, tendo-me guiado na visita às obras que tinha expostas. Estes momentos serviram para consolidar a ideia que tinha ido formando sobre ela: uma pessoa culta e interessada pela sua cidade.
Recebo no meu outro blogue todos os posts que vai publicando e leio com interesse o que escreve. A defesa do património é uma das suas frentes de intervenção cívica. Tanto do património construído, como do património natural. Há dias publicou um texto que tem já algum tempo, publicado no Jornal Linhas de Elvas, no dia 3 de Abril de 1987, mas que, infelizmente continua actual e se pode aplicar não apenas a Elvas mas a muitas outras localidades. Tem o título Na mesma tecla e fala sobre o tratamento que é dado às árvores do espaço público. Um belo texto que é, ao mesmo tempo, um grito de revolta contra a ignorância e a prepotência de quem decide destruir, sem qualquer hesitação, um bem que é de todos. Vale a pena ler e meditar sobre as suas sábias palavras.

domingo, 16 de agosto de 2009

Óleos e ambiente

Da página da VALNOR, retirei a seguinte informação:

"Os Óleos Alimentares Usados (OUA) são muito prejudiciais à pureza da água e às estruturas de saneamento das cidades quando despejados directamente nas redes de esgoto. A recolha dos OUA, em recipientes próprios para o efeito, é mais uma actividade da VALNOR que beneficia o ambiente, através da recuperação dos OUA, da diminuição das emissões de partículas de Carbono e de compostos de enxofre, permitindo, através da sua transformação em Biodiesel, substituir parte da importação de gásoleo e, graças à sua superior capacidade lubrificante, aumentar o tempo de vida útil dos motores.
A VALNOR com o objectivo de dar uma solução ambientalmente correcta aos Óleos alimentares usados, produzidos na sua área de actuação, deu inicio à sua recolha no mês de Maio de 2005. Foram percorridos os restaurantes, escolas, lares e outras entidades produtoras de OAU, nos 19 Concelhos abrangidos pelo nosso sistema e foram distribuídos recipientes apropriados para a recolha deste tipo de resíduo.
No ano 2005 foram recolhidas e encaminhadas para valorização 20.93 toneladas de OAU, distribuídos pelos Concelhos da seguinte forma… (ver mais)
No ano 2006 foram recolhidas e encaminhadas para valorização 69.41 toneladas de OAU, distribuídos pelos Concelhos da seguinte forma… (ver mais)
De forma a que toda a população possa entregar os óleos que são utilizados nas sua habitações, foram também colocados recipientes, em conjunto com as Câmara Municipais de cada Concelho, em locais acessíveis a todos os munícipes."
.
Estamos em 2009. Já procurei e não encontrei no concelho de Campo Maior os tais recipientes que servem para depositar os óleos usados.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Calor e trovoadas

Os últimos dias têm sido de um calor sufocante. Depois de um período em que a temperatura esteve um pouco abaixo do normal para a época, uma situação meteorológica de anticiclone ocupando a Península Ibérica, faz com que o ar que nos chega de Leste seja muito quente e seco.

As previsões dizem que podem ocorrer nuvens e anunciam possibilidade de haver trovoadas, as temíveis trovoadas de Verão. Era nesta altura que, em tempos passados, se ouvia a reza a Santa Bárbara, a protectora que nos podia livrar dos males causados por estes fenómenos meteorológicos. Não era raro acontecerem mortes devido aos raios. Lembro-me de ouvir dizer que as mortes aconteciam quando os homens que andavam no campo se abrigavam debaixo de árvores ou sob um guarda-chuva com ponta metálica. Depois, nos anos que vivi na grande cidade deixei de ouvir o relato destes acontecimentos. E agora também não. Talvez porque há cada vez menos gente a trabalhar nos campos ou então porque os que lá andam são mais esclarecidos e sabem proteger-se dos riscos associados às trovoadas.

Nestes dias o melhor é não sair de casa. A grande ilha de calor que é a vila torna insuportável uma simples ida à rua. O calor libertado pelo pavimento e pelas paredes torna risível a previsão do valor máximo da temperatura do ar para esta região. Ultrapassado, em muito, o nível de conforto térmico, resta-nos esperar pacientemente o final do Verão e a chegada dos doces dias de Outono.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Evocando D. Dinis em Estremoz


D. Dinis

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
Fernando Pessoa

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Memórias



Foram talvez as primeiras Festas do Povo de Campo Maior a que assisti. Foi no já longínquo ano de 1953. A viagem não era longa, cerca de 70 quilómetros a partir do Crato, mas a lembrança que tenho é da longa recta entre Arronches e Campo Maior, cheia de lombas, que divertia imenso a criançada por causa da sensação que se tinha na barriga, à passagem por cada uma delas.
A festa foi uma novidade por causa dos enfeites das ruas. Esta entrada, vim a saber mais tarde, era uma inovação. Foi inspirada na gravura que existia nos maços de tabaco Português Suave e desenhada por um dos "artistas" fixados na vila, chamado Jacinto Costa, meu irmão mais velho.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A situação da Albufeira do Caia






Fonte: SNIRH

Acompanho, com alguma regularidade, através da página do Serviço Nacional de Informação de Recursos Hidrícos, a evolução da situação da albufeira do Caia. Disso já aqui tenho dado conta, fazendo notar que este ano hidrológico está a ser particularmente preocupante no que respeita ao nível de armazenamento da albufeira.

O gráfico apresentado na página do SNIRH mostra claramente a situação no final do mês de Julho, podendo ser comparada quer com o mesmo mês do ano passado, quer com as médias. No que respeita ao mês Julho, em 2008, registava-se um nível de armazenamento na ordem dos 52,4%, enquanto este ano o valor é de 37,8%.

No conjunto das albufeiras da bacia do Guadiana é a segunda com nível mais baixo, estando em primeiro lugar a Vigia, com um armazenamento na ordem dos 22,7%.

O ano hidrológico em curso só termina em Setembro e, pelo menos, o segundo semestre está classificado de "seco". A irregularidade das chuvas na nossa região não permite prever como será o próximo que começa em Outubro. Se for um ano com chuvas abundantes, não haverá problema com o estado actual da albufeira do Caia e, logicamente, com o abastecimento público de água aos concelhos servidos pela rede com origem nesta albufeira. Mas se acontecer um ano seco, é provável que surjam problemas graves.

Desconheço se os concelhos servidos pela água do Caia têm algum plano para a contingência de escassez de água. Seja como for, era natural que já houvesse algum alerta às populações no sentido de as sensibilizar para o facto de se tratar de um recurso que tem limitações e que é preciso cuidar de utilizar do modo mais racional possível, para prevenir situações que serão muito penosas para os meios urbanos que não possuem outras alternativas.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Rua estreita

As cidades crescem e vão sendo marcadas pelas tendências arquitectónicas de cada época. O núcleo mais antigo, se preservado, distingue-se pelas suas ruas estreitas e casas não muito desenvolvidas em altura. Aqui, nesta rua de Vila Real, onde os telhados quase se tocam, vislumbra-se uma parte da cidade mais recente, com prédios altos, estabelecendo um nítido contraste entre as duas formas de conceber a habitação.

sábado, 1 de agosto de 2009

El Silencio

Oye, hijo mio, el silencio.
Es un silencio ondulado,
un silencio,
donde resbalan valles y ecos
y que inclina las frentes
hacia el suelo.

Federico Garcia Lorca

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O plátano

Pelo diâmetro do tronco vê-se que é um plátano relativamente jovem. Mas a copa tinha crescido livre de podas drásticas e os seus ramos estendiam-se para cima e para os lados, desenhando a sua sombra, no Verão, uma espécie de círculo que ocupava uma boa parte daquele espaço do jardim. Talvez ambicionasse ter o porte do seu irmão que, a pequena distância e sabe-se lá porque milagre, continua a crescer livremente e a proporcionar sombra aos homens que diariamente se sentam no banco corrido de alvenaria, na esquina da rua.
Há cerca de dois anos começou a ver cair, por acção do serrote ou da escavadora, muitas acácias-do-japão e, nos últimos tempos, foi a vez dos folhados seus vizinhos, da velha olaia que todas as primaveras se enchia de flores cor-de-rosa e até da jovem araucária.
Parecia que o plátano tinha sido poupado, tal como os pinheiros, alguns cedros e uma jovem alfarrobeira. Com a chegada da primavera ainda se cobriu de folhas, ralas é certo. Mas agora ficou como se tivesse chegado o Outono. Perdeu as folhas e os ramos, certamente sem vida, erguem-se agora nus para o alto. É que as árvores também precisam de raízes para viver. Cortaram-lhe grande parte das raízes e o plátano morreu.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

As árvores e os jornais

É com satisfação que tenho encontrado na imprensa local alguns artigos sobre o tema da arborização em meio urbano, abordando também criticamente o modo como as árvores são tratadas pelos serviços autárquicos. Estes artigos vêm reforçar opiniões que aqui deixei noutras ocasiões acerca do modo como está a ser gerido o espaço público no que respeita ao abate de árvores adultas, muitas aparentando um bom estado fitossanitário, e às podas radicais que todos os anos são sistemáticamente feitas. Reduzidas ao tronco, quando voltam a crescer alguns ramos dão origem a caricaturas do que deve ser uma árvore, privando-nos da sombra que, sem estas mutilações, nos protegeriam da inclemência dos calores estivais.
Na edição de Sexta-feira, 24 de Julho de 2009, o Região em Notícias de Campo Maior, publicou na página 6, um artigo da autoria de David Romão, intitulado "A árvore no meio urbano".
O autor começa por referir a função que desempenham as designadas "florestas urbanas", ao nível da qualidade do ar, diminuindo a quantidade de CO2, filtrando outros poluentes existentes na atmosfera e diminuindo os níveis de ozono, gás que, nas baixas camadas da atmosfera, é muito prejudicial para a saúde das pessoas. A nível da água, as raízes facilitam a infiltração da água no solo e diminuem a escorrência superficial. As árvores têm um papel muito importante ao atenuarem as temperaturas extremas e, quando integradas em parques ou jardins, proporcionam áreas de lazer com várias funções sociais.
Refere as acções que se vão multiplicando de destruição das zonas verdes para nelas se instalarem estruturas com outras funções, como edifícios e parques de estacionamento.
Os dois últimos parágrafos são dedicados à situação que se observa em algumas localidades, entre as quais Campo Maior, no que respeita "às desastrosas podas que aplicam nas árvores existentes, estas podas são limpezas anuais que são efectuadas com suposta intenção de rejuvenescer, no entanto é drástica a forma como é realizada.
Cortes totais dos ramos anuais, deixam as árvores unicamente com o tronco principal, provocando a estes seres vivos, que convivem diariamente connosco, feridas gravíssimas, regenerativas sem dúvida mas extremamente desgastantes, reduzindo imenso a esperança de vida de algo que nos é tão útil
."

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Alentejo

Terra parida,
Num parto repousado,
Por não sei que matrona natureza
De ventre desmedido,
Olho, pasmado,
A tua imensidade.
Um corpo nu, em lume ou regelado,
Que tem o rosto da serenidade.

Miguel Torga

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Flores do loendro

Nerium oleander L.
Sendo um dos arbustos mais bonitos nesta época do ano e utilizado como ornamental em muitos jardins, é uma planta em que todas as suas partes são tóxicas.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Almada Negreiros

Já há muitos anos que tenho em casa as Obras Completas de Almada Negreiros, edição da Editorial Estampa, publicadas no já longínquo ano de 1971.

Quando foram compradas, numa primeira tentativa de leitura, achei estranha a escrita e desisti. Há pouco tempo, peguei por acaso no volume 4, o qual reúne a poesia do autor e, quando comecei a ler, foi para mim uma descoberta surpreendente. Aviso já que não sou especialista em literatura. Apenas posso dizer quando gosto ou não gosto, sem encontrar interpretações mais ou menos complicadas como as que são usadas no ensino secundário e que fazem a infelicidade de muitos alunos.


Já aqui "copiei" algumas de que gostei. Não tendo eu qualquer capacidade ou "vocação" para escrever poesia, achei, no entanto muito sensata a ideia de que "Aquele que sente a vocação da Poesia, logo se crê obrigado a passá-la para a escrita. Porém, há diferenças entre o que foi realmente nosso e o que não passa de uma glosa de outro autor. Ao segundo caso é francamente preferível o plágio nu. A cópia fiel ainda é a melhor passagem para o original." Este texto é um excerto do "Prefácio ao livro de qualquer poeta", do volume acima referido. Claro que não tenho andado a plagiar porque não dou como minhas as palavras do poeta.

sábado, 18 de julho de 2009

Centenário das Palavras

"Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras."
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Almada Negreiros

quinta-feira, 16 de julho de 2009

História das Palavras

"As mulheres e os homens estavam espalhados pela Terra. Uns estavam maravilhados, outros tinham-se cansado. As que estavam maravilhados abriam a boca, os que se tinham cansado também abriam a boca. Ambos abriam a boca.
Houve um homem sozinho que se pôs a espreitar esta diferença – havia pessoas maravilhadas e outras que estavam cansadas.
Depois ainda espreitou melhor: Todas as pessoas estavam maravilhadas, depois não sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam cansadas.
As pessoas estavam tristes ou alegres conforme a luz de cada um – mais luz, alegres – menos luz, tristes.
O homem sozinho ficou a pensar nesta diferença. Para não esquecer, fez uns sinais numa pedra.
Este homem sozinho era da minha raça – era um Egípcio!
Os sinais que ele gravou na pedra para medir a luz por dentro das pessoas, chamaram-se hieróglifos.
Mais tarde veio outro homem sozinho que tornou esses sinais ainda mais fáceis. Fez vinte e dois sinais que bastavam para todas as combinações que há ao Sol.
Este homem sozinho era da minha raça – era um Fenício.
Cada um dos vinte e dois sinais era uma letra. Cada combinação de letras uma palavra."
.
Almada Negreiros

terça-feira, 14 de julho de 2009

Verde e amarelo

A grande tipuana estava cobertas das suas flores amarelas as quais, ao caírem, formam tapetes amarelos na calçada.
Tão diferente das pobres tipuanas que vejo todos os dias, barbaramente podadas e que, este ano, não têm flores.

domingo, 12 de julho de 2009

Túnel verde

No dias quentes de Verão é reconfortante estar ao abrigo deste túnel formado por plátanos, ouvindo o murmurar das águas do ribeiro que corre paralelo a esta alameda, destinada exclusivamente para o usufruto das pessoas que gostam de passear.
Pena que esteja tão longe!...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Fim do dia

A viagem estava a chegar ao fim, num dia de calor moderado, um dos primeiros do mês de Julho.
Soprava uma brisa forte que chegava a dar a sensação de frio. Apesar do adiantado da hora (o Sol põe-se por volta da 21 horas) parecia que era de esperar um espectacular pôr-do-sol, atendendo às nuvens que se estendiam para Oeste.
Embora já tenha assistido a outros mais belos, por momentos valeu a pena a espera. A água da albufeira, encrespada pelo vento, refletia os últimos raios solares. No cimo do monte, as azinheiras pareciam arder, mergulhadas no disco incandescente.
Depressa o Sol desapareceu atrás do monte e foi altura de vencer os últimos quilómetros, depois da longa jornada, marcada por uma deambulação que se iniciou na região de Lisboa e incluiu a visita aos monumentos megalíticos de Almendres e ao centro histórico da vila de Redondo. Aqui, conto voltar em breve. Este ano há a Festa das Ruas Floridas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Canção para o Alentejo


Alentejo, Alentejo,
Vastidão de Portugal
Futuro, continental!
Terra lavrada, que vejo
A ser mar mas sem ter sal.

Ondas de trigo maduro
Onde mais ninguém se afoga:
Danças alegres da roga
Que vindima no meu Doiro
E vem colher o pão loiro
Da inteira fraternidade
Que falta a esta metade
De coração largo e moiro…
.
Miguel Torga

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Hora de estrellas


El silencio redondo de na noche
sobre el pentagrama
del infinito.

Yo me salgo desnudo a la calle,
maduro de versos
perdidos.
Lo negro, acribillado
por el canto del grillo,
tiene esse fuego fatuo,
muerto,
del sonido.
Esa luz musical
que percibe
el espíritu.

Los esqueletos de mil mariposas
Duermen en mi recinto.

Hay una juventud de brisas locas
sobre el rio.
.
Federico Garcia Lorca