Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Cheias

Mais uma vez a chuva intensa provocou cheias na região da Grande Lisboa, sendo o concelho de Loures um dos mais afectados.
Nos noticiários da televisão passaram imagens de Sacavém, da Calçada de Carriche, da Ponte de Frielas e de Loures. A água atingiu volumes muito elevados, acumulou-se nos pontos mais baixos e trouxe consigo um rasto de destruição.
No entanto, tudo isto era previsível. A bacia hidrográfica do Rio Trancão é um grande funil, abrangendo territórios de vários concelhos, que encaminha a água para a estreita abertura do vale na parte terminal deste rio. Sendo muito baixa a altitude da planície de Loures e do leito do rio a jusante desta, a conjugação da chuva muito intensa com a maré alta pode ocasionar uma situação de catástrofe.
As condições naturais são propícias ao acontecimento das cheias. No entanto, durante anos e anos, tem vindo a assistir-se à progressiva impermeabilização dos solos devido às urbanizações que cresceram e continuam a crescer sem qualquer critério que não seja o da especulação imobiliária. Como a construção comanda todas as decisões, são entubadas as linha de água e, com alguma frequência, constrói-se sobre elas. O leito de cheia de algumas ribeiras não é respeitado e, como acontece muitas vezes, as casas e as estradas lá construídas acabam por potenciar o efeito destrutivo dos elevados caudais que se registam nessas linhas de água quando acontecem situações meteorológicas que determinam valores de precipitação pouco normais.
A grande tragédia provocada pelas cheias de 1967 e por outras que se seguiram, não serviu de lição a quem tem o poder de decidir sobre o (não)ordenamento do território. Não compreender as forças da Natureza e os limites da intervenção humana, leva a situações de graves danos patrimoniais e a dramas pessoais intoleráveis.
Mas, como acontece noutras situações, os responsáveis por este estado de coisas nunca são identificados publicamente e não respondem pelas decisões que tomaram.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"Limpeza"

Há cerca de três meses, descrevi a praceta em frente da minha casa assim.

A meio desta semana a visão da mesma praceta era esta que se vê na foto. A autarquia decidiu fazer uma autêntica razia nas árvores do espaço público e, pelo que me foi dado observar, do jardim de uma escola. São dezenas de árvores que foram sujeitas ao que a Junta de Freguesia de Stº António dos Cavaleiros chamou eufemisticamente de "limpeza". A enorme quantidade de ramos cortados mostrava que os brotos estavam a desabrochar.

É evidente que este verão não haverá sombras.
Durante estes dias, o ruído de fundo em toda a urbanização é o da moto-serra.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Terça-feira de Carnaval

Termina hoje o Carnaval. O período do ano assim designado, está entalado entre as comemorações da Epifania e a Quaresma. Na Epifania celebra-se o baptismo de Jesus Cristo, é um tempo de exaltação da vida e de esperança. Pelo contrário, a Quaresma prepara a celebração da morte, é um tempo de privação, de abstinência.
O Carnaval antecede as trevas da Quaresma. É um tempo em que, socialmente, se permite a transgressão, o excesso.
Numa observação o mais objectiva possível do que se passa actualmente no Carnaval é difícil dizer o que corresponde hoje a uma transgressão do ponto de vista social. Alguns exemplos:
- Crítica social e política;
- Exibição do corpo;
- Troca de papéis sexuais;
- Disfarces e máscaras.
Se houve tempo em que desempenhavam essa função, actualmente, nada disto constitui uma transgressão social.
O que resta são os desfiles organizados com fins mais ou menos comerciais. Muitos destes desfiles são imitações rascas do carnaval brasileiro, numa altura do ano em que se recomendam mais os agasalhos do que as exíguas roupas exibidas pelos participantes.
Por tudo isto, acho o Carnaval uma época muito triste.
Há algumas excepções, de terras onde se mantêm festas tracidionais e onde parece que as pessoas vivem com entusiasmo as situações mais insólitas ou divertidas.