Gambozino é uma animal imaginário.
Andar aos gambozinos, significa andar à toa, vaguear, vadiar, vagabundear.
É isto que eu prendendo: vaguear por vários assuntos, vários lugares, ao correr da imaginação e da disposição.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Laranjeira

As laranjeiras estão cheias de frutos. Esta pertence a um conjunto que ornamenta algumas ruas da vila. São árvores relativamente pequenas, odoríferas sobretudo na Primavera quando se cobrem de flores.
Quando vejo as laranjeiras nesta fase do seu ciclo anual, lembro-me sempre de uma passagem do livro de Júlio Dinis, As Pupilas do Senhor Reitor. A cena passa-se com um entediado Daniel que procura entreter-se conversando com um dos velhos criados da quinta, a que se juntou a pequena Rosa, filha deste último. É um diálogo que continuo a achar absolutamente delicioso, passados muitos anos da primeira vez que li o livro.
(...)
"- Tu sabes adivinhas, Rosa? - perguntou Daniel rindo.
- Sei.
- Sim, senhor - corrigiu ainda outra vez o velho.
- Ora vamos lá a uma adivinha.
A pequena não se fez rogar.
- Então diga lá esta:
Altos castelos
Verdes e amarelos
- Isso é decerto a casa de um brasileiro* - respondeu Daniel.
A criança pregou-lhe uma risada e, toda satisfeita, exclamou:
- Boa! É uma laranjeira."
(...)
.
*Casas de emigrantes regressados ricos do Brasil que construíam casas coloridas de grandes dimensões e que contrastavam fortemente com as casas tradicionais do Norte de Portugal.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Água

Este ano tem chovido pouco. A chuva que tem caído e, em menor escala, o orvalho e a geada, têm contribuído para repor alguma água no solo. No entanto, a escorrência tem sido pouca, o que se reflecte nos caudais dos cursos de água e no nível das barragens.
A última vez que passei na barragem do Caia, no passado fim de semana, notei que o nível da albufeira estava bastante baixo. Consultei os dados sobre a barragem, disponibilizados pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, e confirmei a percepção que tinha sobre o estado das reservas de água do Caia. O nível de armazenamento, em Dezembro de 2007, estava a cerca de 60% da capacidade total; no mesmo mês do ano passado, tinha cerca de 70%.
Se as situações meteorológicas não se alterarem no sentido de se registar uma quantidade apreciável de precipitação, é fácil prever que a reserva de água vai continuar a diminuir. Esta situação pode tornar-se preocupante porque é à albufeira do Caia que se vai buscar a água para abastecimento público de alguns concelhos.
No entanto, não me dei conta de qualquer medida das autoridades locais para informar a população sobre este assunto e para a sensiblizar para a necessidade de poupar água.
O que já vi foi o sistema de rega do jardim a funcionar em dia de chuva...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Nevoeiro

Foi na região de Loures que vi as mais fantásticas paisagens de nevoeiro quando, nas áreas mais elevadas ele já se dissipou mas, devido à acumulação de ar frio nos sítios de menor altitude, ainda é possível observar a sua persistência nos vales.
No dia 29 de Dezembro de 2007, o nevoeiro cobriu toda a região durante algum tempo, deixando ver apenas o cimo das torres de apartamentos. No entanto, demorou pouco a dissipar-se.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Calçadas

Andar nas nossas calçadas é um tormento a não ser que se usem sapatos de sola bem grossa. Com sapatos de sola fina todas as saliências das pedras são um massacre para os pés. Este é um dos casos em que a tradição não corresponde ao necessário conforto de quem gosta de caminhar pelas ruas.
Outro aspecto a notar é que as calçadas de paralelepípedos de granito com que se atapetam as ruas são, actualmente, muito mal feitas. Passado algum tempo, como os blocos não se ajustam perfeitamente, a areia que preenche os espaços não resiste a algumas chuvadas mais fortes. A calçada torna-se então numa sucessão de pedras que surgem rodeadas de vazios onde qualquer salto mais estreito cai sem qualquer dificuldade.
Os passeios feitos de pequenas blocos de calcário estão cheios de ondulações e de covas. É preciso muita atenção para evitar torcer os pés.
Em suma: andar nas nossas ruas tornou-se uma aventura cheia de perigos.